• Museu de Arte de Lumiose

             Graças a um comentário ( valeu Alefu, seu lindo ), lembrei de algo que eu planejava mas tinha esquecido. Fazer uma galeria pra artes originais da história. 

            Então é isso meus bons, bem vindos ao Museu de Arte de Lumiose, onde artes originais e fanarts irão compartilhar espaço. Pra comemorar a abertura, a imagem de Iroquois Pliskin do capítulo 4, feita pelo bom e velho Diego Chinatsu depois de eu pedir pra ele esse enorme favor de retratar esse personagem.

         * Artes da História *

     
                                                 
                                               "  Não Nomeada "
                                                                                  Diego Chinatsu, 2019

            " A obra retrata Iroquois Pliskin sentado sobre uma rocha numa rota envolvida pelo pôr do sol. O efeito que o artista usa para nos dar a impressão de uma brisa em combinação com o laranja do fim de tarde e com a expressão do personagem passa uma sensação de calma e serenidade. Também é possível sentir ao olhar para o conjunto da obra uma sensação de vastidão e reflexão do futuro e de suas incertezas. A obra foi feita por pedido do autor da fanfic, Sir Naponielli, para retratar um momento que ele já imaginava que seria mágico numa obra bem feita antes de escrevê-lo. Chinatsu não fez feio e entregou uma bela peça. "
  • Notas do Autor sobre o Capítulo 4




    Bem, é a primeira vez que eu venho escrever notas de algum dos meus capítulos, e, em realidade, depois de tanta coisa que eu já fiz nesses 4 capítulos, o motivo de eu fazer isso agora pode ser estúpido, mas vamos lá.

    Basicamente, o que ocorre nesse capítulo que eu queria frisar é que aparece um Youngster nele. Entretanto, quem jogou os jogos que se passam em Kalos sabem que não tem Youngsters na rota 3. Pode parecer algo bobo de se falar, e irrelevante, mas eu queria muito explicar o motivo da aparição dele onde ele não deveria existir.

    Eu considero Youngster uma das classes de treinadores mais detestáveis de todas, com suas recorrentes aparições em começos de jogos e quotes idiotas. Quando fui escrever o capítulo, eu já tinha noção de querer um guri falando asneira, mas nenhuma das classes da rota me passava a sensação de quem falaria coisas assim de maneira escrachada. Solução: pegue um Youngster e coloque na rota. Simples e perfeito, né? 

    Sobre o resto do capítulo, devo dizer que a escrita foi difícil, mas não pelo que eu abordava nele, mas pelo tempo que eu dispunha pra escrevê-lo. O capítulo foi feito muito rapidamente pros meus padrões, foram uns 2 ou 3 dias de escrita, umas 6 horas de escrita se somasse o que eu escrevi em cada dia se pá. Foi complicado pois escrevi já pensando em cenas que eu iria remover ou alterar acordo a sua necessidade, pensando em já deixar ele compacto, mas não por isso sem qualidade ( espero ter mantido uma qualidade ). As ideias estavam todas ali, o que restava era organizar na cabeça e transcrever, mas falar é mais fácil do que fazer. Mas para a alegria dos meus colegas, o capítulo tá aí, prontinho.

    Um capítulo que considero simples e direto, que pode ser resumido na passagem pela rota 3 e pela primeira luta contra um treinador realizada por Xavier, e acreditem, isso é um fato importante, em principal pelo diálogo que vem depois, que embora tenha ficado um pouco aquém do que eu queria, é importante para botar a ideia de buscar Conhecimento ( com C maiúsculo mesmo, pra parafrasear um amigo ) na cabeça do nosso protagonista.

    Espero que tenham gostado da leitura, meus bons. Obrigado e até mais ver!
  • Capítulo 4: Um Caminho Que se Abre


           


           Os raios laranjados do sol vespertino tocavam em toda sua glória as folhas das plantas que ali se impunham. Quase que como numa linha reta uma divisão clara de ambientes distintos se fazia ali tendo de um lado um grande campo de relva baixa, arbustos espalhados, e algumas formações rochosas esparsas no horizonte, enquanto do outro árvores grandes e robustas se faziam presentes como um colossal exército verde.
  • SEMANA ESPECIAL NEO CONEXÕES, PORRA!


    Semana especial - Neo Conexões

    Olá, pessoal! A pandemia continua forte no mundo a fora e sentimos que pouco a pouco estamos nos separando socialmente de nossos colegas e amigos.

    Nós da Neo resolvemos mostrar para o mundo que é possível estar unido mesmo no isolamento social, portanto iremos fazer esta semana ser uma semana especial no blogs da aliança. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de Segunda-feira!

    Não, não é apenas uma nova semana "fique em casa", pois para simbolizar a conexão entre os autores, cada dia desta semana não terá apenas 1 capítulo, mas sim 2 capítulos, cada um de um autor diferente!

    Para fechar no sábado com chave de ouro, teremos duas grandes revelações para vocês, a primeira é que Alola estará recebendo um novo Autor e para comemorar sua estreia, teremos um grande anúncio que promete revolucionar nossa interação com vocês!


    Confiram nosso cronograma:

    04/05 - Segunda-feira
    Neo Pokémon Kanto
    Neo Pokémon Kalos 
    05/05 - Terça-feira
    Neo Pokémon Johto
    Neo Pokémon Mystery Dungeon 
    06/05 - Quarta-feira
    Neo Pokemon Orre
    Neo Pokémon Sinnoh 
    07/05 - Quinta-feira
    Neo Pokémon Unova
    Neo Pokémon Galar
    08/05 - Sexta-feira
    Neo Pokémon Hoenn
    Neo Pokemon Decolore
    09/05 - Sábado
    Neo Pokémon Alola
    Anúncio especial no blog de Alola

  • Neo Aliança contra o Covid-19



              Olá, pessoal! Com a pandemia do Covid-19, praticamente toda a população global passou a adotar medidas para diminuir a disseminação do vírus, desde medidas de higiene até o isolamento social. Sabemos que todos gostamos de estar perto daqueles que amamos, seja em casa ou na rua, por isso, nós da Neo Aliança decidimos fazer aqui uma semana especial para tornar esse período mais fácil para nossos leitores. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de hoje! Esperamos que esses capítulos sejam uma contribuição, ao menos que pequena, para tornar a quarentena de vocês mais fácil.
             Ah! E também teremos a inauguração de uma nova região ao final dessa semana. O Wall retornou à Neo Aliança e agora será responsável para dar vida aos personagens dos jogos do Pokémon Colosseum, da região de Orre!

            Lembrem-se! Manter distância é um ato de empatia, mas a leitura ultrapassa qualquer distância!

             Confiram nosso cronograma:

    21/03 - Sábado:Neo Pokémon Kalos
    22/03 - Neo Pokémon Mystery Dungeon 
    23/03 - Neo Pokémon Galar
    24/03 - Neo Pokémon Johto
    25/03 - Neo Pokémon Kanto
    26/03 - Neo Pokémon Unova
    27/03 - Neo Pokémon Hoenn
    28/03 - Neo Pokémon Sinnoh
    29/03 - Neo Pokemon Orre (Inauguração!)


  • Capítulo 3: O Pedido de uma Mulher


           A mata densa mal permitia a entrada de luz, árvores de tamanhos variados se entrelaçavam nos mais diferentes níveis. Os poucos raios de sol que trespassavam pelas copas das árvores causavam um efeito bonito de luzes, em filetes, cortando a escuridão.

           Xavier, no entanto, não parecia ligar para tal beleza, e se mostrava preocupado com outras coisas. Seus olhos passeavam inquietos pelo cenário ao seu redor, a procura de quaisquer movimentos por entre a grama que crescia debaixo das árvores ou nas galhas altas desses titãs com folhagem verde.

           Com passos lentos e visivelmente inseguros, ele vai atravessando uma pequena trilha, talvez feita por pessoas que passaram ali anteriormente a ele. As vezes uma brisa passava levantando as folhas diversas, e o som de seu farfalhar fazia com que o rapaz recuasse alguns passos rapidamente, e se virar para os lados procurando de onde o barulho veio, normalmente sem muito sucesso.

           Sim, ele estava com medo, algo ali o perturbava, embora muito provavelmente fosse apenas a falta de costume. Os olhos de Xavier passeiam atentamente por cada coisa que lhe parecia fora de lugar, sejam galhos, ramos, cipós ou mesmo as pedras de maior tamanho que apareciam no caminho, estas cobertas por musgo e líquen.

           O jovem para e olha para o alto, frustrado com algo.

           — COMO RAIOS EU SAIO DAQUI!? – ele grita com toda força possível.

           Algo parece responder sua questão.

           O baque de um objeto caindo lhe chama a atenção, e Xavier se vira para a fonte do som. Pequenos objetos, algo como coquinhos, caiam uns sobre os outros, e acabavam rachando, revelando assim seu interior podre. O rapaz se aproxima do local de onde os coquinhos estavam caindo, e olha para a copa do que parecia ser uma palmeira.

           Um pequeno macaco, de cor verde vívida em sua maior parte, pegava alguns dos frutos dos cachos da palmeira e os batia no tronco desta, e, quando ele parecia não gostar do que percebeu, jogava os objetos na pequena pilha que havia se formado abaixo dos vários metros de planta.

           O hábito peculiar chama a atenção do jovem treinador, que olhando para cima, em direção ao ser, se aproxima sem prestar atenção no caminho que percorria. Nisto, um tropeço foi inevitável.

           Cambaleando de um lado a outro, e com total falta de equilíbrio, o jovem acaba por se chocar contra algo de tamanho considerável. Com isso o rapaz por cair sentado no chão. Xavier olha para cima num gesto reflexivo.

           Alta, formosa, e claramente com raiva, uma loiríssima mulher ali se punha, de pé,a reclamar do sujeito no qual havia trombado. Palavras de baixo escalão saiam pelos lábios rosados que se distorciam em movimentos largos. A moça com suas longas pernas pisoteava as plantas do entorno em fúria, parecendo não importar com os espinhos de algumas plantas, que furavam o jeans colado que usava. O momento de estresse logo passa, e sob o olhar confuso e perplexo de um jovem, a mulher respira fundo, expira e então fecha os olhos, a pele bronze ainda com um avermelhado decorrente da raiva, e suor escorrendo da testa ao queixo, e do queixo caindo para a camiseta amarela.

           Xavier se levanta do chão com certa cautela, e bate em suas roupas, para tentar tirar um pouco da terra e folhas que ali poderiam ter grudado. A moça, por sua vez, abre os olhos e, encarando o rapaz, começa a falar.

           — Você por acaso não presta atenção no seu caminho? – com uma voz aveludada, mas firme. – Você poderia realmente ter me machucado. Estava com a cabeça nas nuvens por acaso?!
    O rapaz simplesmente tenta negar movimentando sua cabeça de um lado a outro. Ele queria ter dito algo, mas acabara por perceber que sua boca parecia não seguir os seus comandos. A mulher pareceu não se importar com o que o rapaz tentava dizer.

           — Se eu ainda fosse um blackbelt… – a mulher resmunga. – Ei, garoto. – ela de repente para e se vira para o jovem. – Já que nos encontramos aqui quer dizer que existe algum destino entre nós, e você vai me ajudar com o que eu preciso! – ela proclama num tom autoritário.

           O rapaz parece desesperar-se.

           — Como assim, moça?! Te ajudar com o quê? Eu nem te conheço! – ele fala num tom visivelmente alterado por algum tipo de pressão que ele mesmo desconhecia.

           A mulher franzi o cenho e fica com a tez obscurecida, como se pensasse em algo, mas logo parece encontrar a resposta para qualquer que fosse o problema.

           — O problema é não nos conhecermos, certo? – ela pergunta, num tom sério. – Meu nome é Nova, gosto de pokémons exóticos e viajar em busca de novos ares. E você, qual o seu nome? – pergunta.

           — X-Xavier… – o outro responde, meio intimidado.

           — Muito prazer em te conhecer, Xavier. E então? Já nos conhecemos o suficiente? – ela pergunta divertidamente, mas com um brilho perigoso no olhar.

           O rapaz acena com a cabeça, como se dissesse sim repetidas vezes. Parecia que um certo medo daquela mulher já estava se instalando no pobre coração do rapaz.

           — Pois então. – já começa a mulher. – Eu preciso de sua ajuda para encontrar isto! – e tira de um bolso da sua calça um papel, com o desenho realista de um inseto elegante, uma borboleta. – Um Vivillon! E não é um Vivillon qualquer, e sim um super raro Vivillon com padrão “Fancy”! Tem suas asas majoritariamente num tom rosa suave, e nas pontas destas uma variação de cores que passeiam entre tons de verde, roxo, vermelho e branco! Ele é lindo! – grita como se estivesse falando do seu astro favorito.

           O jovem fica meio sem entender o que estava acontecendo, e murmurava coisas como “okay” e “tá bom”.

           — Vamos lá! Levante daí e já procure! Não perca tempo! – diz ela batendo palmas na direção do garoto, mas de modo similar a quando alguém quer afastar algo com o barulho considerado irritante.

           O garoto se levanta num susto, como se a própria existência da moça lhe causasse tensão e com pressa pôs-se a caminho da estranha nova missão que havia recebido: achar um Vivillon raro…

    ...

           As escarpas das árvores relavam na pele do rapaz, que tentava se movimentar da forma mais adequada ao ambiente em que estava. Ali por onde ele passava em tal momento a mata era mais densa e mais disforme, colaborando com o infortúnio do jovem para gerar maior tormento que o esperado, e dificultar a busca pelo raro inseto colorido que buscava.

           Embora Xavier não entendesse o por quê dele estar seguindo o pedido da mulher, ele estava fazendo o seu melhor, evitando criar quaisquer ruídos desnecessários para não assustar e afastar os seres viventes da região. Mesmo quando algo raspava em si e lhe feria ele engolia a dor e seguia no silêncio.

           Não tarda e os sinais de presença de vida animal se mostram nítidos. O chiar de insetos, as arfadas de pequenos quadrupedes e o guinchar de macacos traziam “música” para o local. Logo mais cores e formas vivas e variadas entram no campo  de visão do rapaz, que se via diante de uma clareira; um espaço aberto dentro de uma floresta tão fechada.

           Na clareira várias criaturas brincavam umas com as outras, se jogando, dançando e exprimindo sons dos mais diversos tipos. Muitas delas eram do tipo inseto, com exuberantes borboletas de um tom escuro e olhos avermelhados, as Butterfrees e valentes zangões listrados em amarelo e preto, com grandes ferrões lanças em seus membros, os Beedrills encenando com muita graça uma espécie de show dos ares. Lagartas verdes e amarelas, Caterpies e Weedles, comiam frutas e folhas suntuosas, e algumas acabavam por se ajeitar próximas ao tronco de uma árvore, para serem então tomadas por um brilho forte e ressurgirem como casulos serenos e esverdeados e casulos amarelados e intimidadores. Alguns Vivillons de diferentes cores e padrões voavam mais alto, numa dança aérea sincronizada, e suas formas anteriores, os Spewpa e os Scatterbug, respectivamente uma espécie de casulo coberto por algo similar a seda e pó e uma lagartinha cinzenta de jeito engraçado, jaziam numa área mais afastada, num local cheio dos fios de seda criada por estes.

           Mas o que o deixava admirado era o fato de que ali estava aquilo que procurava. Sim, estava ali. Num voo diferenciado por sua altura e esplendor, num ponto onde os raios de luz solar pareciam se convergir mais do que o normal, como se as luzes se focassem em um único sujeito, ali estava um Vivillon de padrões ricos e refinados, passando por várias cores e tons, mas se sobressaindo o vivo verde de suas asas.

    File:666Vivillon-Fancy.png

           O Vivillon “Fancy” se sobressaia em relação aos demais pokémon da área em todos os quesitos imagináveis. Era claro quem era o soberano da floresta, e todo soberano que se preze tem sua guarda especial, e com este raro espécime não era diferente. Uma série de macacos de pelos em verde, azul e vermelho se situavam em torno do Vivillon, como se assegurassem o perímetro e resguardassem sua majestade em segurança máxima.

           Xavier logo se viu numa situação complicada, sabia que estava enrascado. Como pegar tal criatura sem sofrer retaliação de tantos outros seres ali presentes? O rapaz só conseguiu pensar em uma resposta: distração.

           Pegando duas esferas multicoloridas de sua bolsa, ele se afasta um pouco da clareira e aperta um botão localizado ao centro de cada uma, fazendo com que elas se abram e liberem um raio luminoso que se condensa em duas criaturas; um Charmander e um Zigzagoon.

           — Iri, Goon, preciso que me ajudem. – diz solene Xavier. – Mais a frente existe uma clareira com um grande grupo de pokémons. Quero que vocês façam ataques próximos a cada grupo de criaturas e instaurem o pânico, não importa como. Mantenham-se em movimento para não sofrerem com alguma sorte de contra ataque. Eu tenho algo para pegar ali enquanto vocês causam o distúrbio… E quando eu pegar esse algo, lhes darei um sinal. Quando ouvirem o sinal, e ele será claro, vocês fogem dali. Vocês entenderam alguma coisa? Espero que sim.

           O Charmander balança a cabeça repetidas vezes, e o Zigzagoon grunhi, ao menos parecia um aceno de confirmação.

           — Eu não achei que eu fosse começar a falar feito um doido tão cedo… – sussurra o jovem, quase inaudível.

           O rapaz logo então se posiciona atrás de um arbusto na borda da clareira, e espia pra ver a situação. Ele olha para os seus pokémons e acena para eles, e as duas criaturas correm em direções opostas. Não tarda e algo começa a ocorrer ao centro do local. Um monte de frutas que estava rodeado por pequenos insetos tem seus componentes voando pelos ares, fazendo uma chuva de polpa e sumo cair no grupo de criaturas que antes estavam felizes, então esbabacados e por fim que ficariam furiosos com um peludo ser que aparecera ali.

           Os macacos que serviam de guarda foram logo ver do que se tratava a comoção, mas um deles, de cor verde, foi surpreendido com uma golfada de brasas no topo de sua cabeça, fazendo com que ele gritasse e batesse as patas no “topete” que tinha, queimando-as também e por consequência começando a se debater, o que chama a atenção dos outros macacos  que se dividem entre cuidar do aliado caído e procurar a nova ameaça, logo avistada na forma de um lagarto laranja.


           O caos estava plantado.

           Xavier de seu esconderijo procura o Vivillon que motivou suas ações, e não tarda em o fazer. Confusa com a situação, a criatura dava voltas no ar, indo para lá e para cá, sem ter noção de pra onde deveria ir. O rapaz de azul sabia que sua oportunidade estava ali, naquele momento em que os macacos e os insetos estavam distraídos perseguindo dois malfeitores escorregadios.

           O jovem retira da bolsa uma esfera bicolor, em vermelho e branco, e com este objeto em mãos corre em direção ao monarca dos ares, por um caminho com poucos obstáculos. Logo, a distância entre o caçador e a caça era próxima.

           A borboleta percebe a aproximação do outro, e tenta escapar, mas Xavier não hesita e num arremesso digno de um lugar numa partida de basebol, ele lança a esfera contra o inseto, que não consegue reagir a tempo e é sugado para dentro do objeto após ser envolvido por uma série de luzes fortes.

           O suor escorre pela testa do rapaz que saca outra bola já pensando no pior, cujos olhos não sabem se encaram a esfera trepidando ao chão ou os pokémons que pareciam ter notado algo estranho ocorrendo. Um brilho leve toma conta do objeto em questão e um pequeno barulho mecânico estala e preenche os ouvidos do jovem, que sorri largamente em presença dessa cena. Ele corre rumo a pokébola, a retira do chão e a guarda em sua mochila com rápidos movimentos, e segue em alta velocidade para um caminho entre as árvores na borda da clareira, gritando:

           — CORRE NEGADA! SEBO NAS CANELAS!

           As criaturas de cor laranja e marrom que distraiam os seres da clareira então se colocam a correr para fora dali, se voltando mata adentro.


           O arfar de sua boca era audível no meio daquele espaço inóspito no meio do coração da mata. O rapaz cansado vestido em azul estava parado com as mãos no joelho, respirando com dificuldades. Ele havia corrido muito. Fugir daquele grupo de pokémons não tinha sido uma tarefa fácil. Quantos obstáculos não teve de passar para poder despistar aquelas criaturas? Eram demais para serem contados. Definitivamente depois de tantos galhos, espinhos, troncos, raízes e entre outros, o rapaz não poderia estar nada além de exausto.

           Após alguns minutos tentando regular sua condição, o jovem se põe a olhar o entorno, em busca de compreender a locação em que está. Com pequenos passos ele anda por entre algumas árvores, na tentativa de achar alguma pista que possa o levar a encontrar seus dois parceiros, que se separaram dele durante a fuga da clareira.

           Não tarda muito para ele noticiar algo estranho acontecendo. Um faixo de mato não muito grande se mexia como se algo estivesse ali, tal como estava. Uma lagartinha cinzenta e com cara de assustada, com um colar de “pelo” e três fiapos saindo do topo da cabeça.

           O rapaz trava. Sabia que aquela criatura era um scatterbug, e que possivelmente era uma daquelas que estavam na clareira, ou menos tivessem uma ligação. O pokémon também para, e encara o rapaz, e numa velocidade lenta e constante, vai abrindo a pequena boca.

           — Bichinho filho da mãe… Não grita… – sussurra Xavier entre dentes, enquanto pensa num curso de ação.

           Um chiado começa a ser ouvido, indo aumentando gradualmente, acompanhando a abertura da boca do pequeno animal. O rapaz se desespera, e age impulsivamente seguindo a primeira coisa que conseguiu pensar.

           Metendo suas mãos em sua bolsa, ele a abre com certo desajeito e pressa, e do mesmo modo retira uma esfera, uma pokébola, de dentro dela, e a arremessa no Scatterbug, que logo é envolvido por uma forte luz e absorvido pra dentro da bola, que se fecha, cai no chão com um baque surdo, e balança algumas vezes, até que um *clique* pode ser ouvido. Com uma captura bem sucedida, o chiado é interrompido.

           O rapaz suspira em alívio, mas não fica parado a espera de qualquer coisa que possa ter ouvido o chamado do pequeno pokémon, saindo então dali de forma ligeira após pegar a esfera que no chão estava.

       

           Após um certo tempo, que Xavier supunha ter sido algo próximo a uma hora, seus pokémons que haviam se separado dele o encontram próximos a uma grande árvore seca e retorcida. Assim Xavier se senta junto a relva e cuida de si e dos pequenos, dando-lhes alimento e cuidados, tanto para estes que estavam em fuga pela floresta quanto ao novo membro.

           Durante o manejamento e aplicação de remédios e curativos nos dois que fizeram tanto durante os eventos da clareira, o rapaz não pode deixar de notar algo que não havia observado antes em um de seus companheiros. O Charmander tinha algumas manchas de cor um pouco mais escuras que o resto de seu corpo ao longo de suas costas. O rapaz não havia prestado muita atenção as criaturas que com ele estavam, mesmo no trato anterior, antes do ocorrido recente. Ele começava a entender eles como os companheiros que realmente são, e por tal se pôs a prestar mais atenção neles.

           “ Isso me parece meio anormal… O que será que pode ser? ” pensa intrigado o rapaz, que logo deixa de lado o pensamento, se preocupando então com achar a mulher que havia lhe dado aquela missão.

           Xavier retorna seus pokémons para suas respectivas esferas, para então prosseguir com sua busca pela pessoa que havia lhe feito aquele pedido. Por entre galhas e vinhas, escoriações e arranhados, o jovem segue sua procura.

           Já no que parecia ser o meio da tarde, talvez próximo do fim, ele encontra Nova, a mulher para qual teve de fazer aquela infernal busca por um Vivillon. Ao final de tudo, ela estava num local próximo a algumas árvores frutíferas, agachada encarando com uma careta um ser amarelo com algumas marcas de queimadura. Profundas marcas de queimadura…

           — Erh… Nova? O que está fazendo? Por que está encarando um- – o rapaz para sua frase na metade, e ao olhar para o animal, ele pareceu ter uma revelação. – EU CONHEÇO ESSA WEEDLE! – por fim ele grita.

           A mulher para por um instante de olhar para a criatura e se volta para o jovem.

           — Foi você que causou as queimaduras nessa lagarta? – questiona com imensa seriedade.

           Xavier sente seu rosto esquentar e ficar rubro de vergonha.

           — Sim, fui eu… – responde quase murmurando.

           A mulher suspira, como se estivesse encarando um caso perdido.

           — Pois fez bem. – diz ela para o rapaz.

           O rapaz, que esperava por uma repreensão ou algo mais severo, fica sem reação.

           — Hã? Quê? – confuso, o rapaz fala após alguns segundos.

           Nova se levanta e, tirando uma pokébola de suas vestes, ela a aposta para a Weedle, que é sugada para dentro da esfera que logo é retornada para o lugar de onde foi retirada.

           — Eu disse que fez bem. – a mulher repete. – Bem feito pra essa criatura que veio roubar minha comida enquanto eu estava distraída. Mas bem, conseguiu pegar o Vivillon? – ela pergunta enfim sobre o principal assunto que tinham a tratar um com o outro.

           Xavier acena com a cabeça em afirmação, e retira uma pokébola de sua bolsa, e a entrega pra mulher, esta que encara por alguns segundos a bola bicolor e a guarda em um dos bolsos de seu jeans.

           — Não vai abrir e verificar se eu peguei realmente? – o rapaz pergunta, meio encabulado.

           A mulher inclina um pouco a cabeça e sorri de leve.

           — Não vou, eu confio em você. – ela diz de forma suave. – Aliás, lhe peço desculpas. Depois que me acalmei percebi que não era certo eu ter te mandado fazer isso pra mim, mas aí já era tarde demais. – solene.

           O mais jovem tira seu boné e o segura em frente ao peito, e baixa a cabeça de modo que ela ficasse um pouco inclinada para um lado, e coça a mesma, meio sem jeito.

           — Não precisa se desculpar… O que ocorreu já está no passado… – fala da melhor maneira que pôde.

           Nova coloca suas mãos nos bolsos de sua calça, e olha para o céu, ou ao menos ao pouco que era visível por entre as copas das árvores.

           — Já está ficando tarde… – ela observa. – Você deve estar indo pra Santalune, não é? Sabe como sair da floresta? — interroga ela ao mais novo.

           — Realmente eu me dirigia pra lá… Mas sendo sincero, eu não sei o caminho se for partir do ponto em que estamos. — ele replica.

           A mais velha então abre um sorriso largo, e diz:

           — Perfeito! Eu estou residindo em Santalune faz um tempo, e sei como sair daqui. Você não se importa de me acompanhar, né?

           — Nem um pouco. – e ajeita a bolsa que carrega.

           Assim, ambos partem daquela parte da floresta, conversando e, com isso, conhecendo mais um ao outro.
  • Capítulo 2: Onde a Realidade Começa

    No meio de uma área verde com bastante grama e arbustos, uma estradinha de terra se estende por alguns quilômetros. Algumas pessoas caminham por ali, seguindo para norte ou para sul. O céu com poucas nuvens mostra seu esplendor azul e o sol banha tudo ali com sua luz. Ali era a rota dois que servia de elo entre Aquacorde e um vasto aglomerado de árvores, a floresta de Santalune.

    Num ponto qualquer da rota um rapaz vestido em azul caminha para o norte, em direção a floresta.

    — Eu devia ter tirado a jaqueta e a deixado na bolsa. – Xavier reclama ao limpar o suor de sua testa. – Mas bem, isso não importa. Não vou parar tão cedo só pra tirar a blusa. – e segue caminhando.

    Estava sendo bem tranquilo caminhar por ali tirando o sol da equação. O farfalhar de folhas, o gorjeio dos pássaros e o caminho livre eram bastante relaxantes e faziam com que o percurso valesse a pena.

    Xavier acaba por chegar num trecho da rota que apresentava um problema comum em estradas pouco utilizadas: o mato. Este, que cobria pouco mais do que uns dez metros de extensão neste caso. A erva daninha crescia desigual por ali, em alguns locais estando bem rala, e, em outros, estando em moitas na altura do joelho.

    O jovem se atenta ao andar ali. Com cuidado, pé a pé, ele vai passando pelo mato. Um barulho! O rapaz trava no lugar, mas vira sua cabeça a tempo de ver algo se mexer. Nisso uma criatura vai aos poucos se revelando, até aparecer por completo no campo de visão de Xavier.

    Era um ser pequeno, do corpo amarelado. Parecia algum tipo de lagarta, com o corpo dividido em sessões esféricas de tamanho decrescente da cabeça ao rabo. No rosto, um par de olhos pretos e brilhantes, assim como uma coisa avermelhada com o formato de uma batata e um notável chifre. No final do corpo, havia um ferrão pouco menor que o corno em sua cabeça, pronto para qualquer surpresa.

    — Eu já vi isso antes... – Xavier murmura. – Acho que é uma Weedle... Alguns colegas tinham delas... Ouvi dizer que ser ferroado por isso pode causar infecções graves...

    O inseto parece não ligar muito para o rapaz, visto que com suas pequenas patinhas ia caminhando num balançado peculiar para outra moita. O jovem nota o ritmo o inseto em sua travessia e não se movimenta durante esse tempo para minimizar as chance de interessar a criatura. A Weedle some no mato logo depois. Xavier segue em frente, saindo então do trecho gramado.

    O jovem olha para trás, como se gravasse em sua mente o curto momento de perigo, e segue novamente seu rumo. Não tarda muito e outro trecho mais difícil aparece como empecilho no caminho. Neste o mato já se encontrava mais alto, mais denso no geral. Xavier suspira, e caminha para dentro do conjunto de moitas.

    A passos largos, o rapaz atravessa a erva daninha, numa tentativa de diminuir o tempo gasto ali. O trecho não era muito longo e Xavier acaba voltando logo para a estrada de terra. Mas isso não foi de muita ajuda.

    Na estrada uma outra Weedle surge. Esta, mais curiosa que a anterior, olha em direção ao rapaz e, sem qualquer razão, se põe a ir para ele. A intenção da criatura era clara como o dia ao se atentar para o ferrão em sua cauda curvada para cima.

    Xavier começa a suar frio. Ali acabava a brincadeira. Ali as coisas eram realidade. Ali não se podia bobear. Ele fecha os olhos, respira fundo, e então os abre. Suas mãos vão para a bolsa que carregava, de onde ele tira uma esfera multicolorida com a metade inferior branca e a metade superior sendo amarela e preta, com uma seta vermelha que aponta para um botão central localizado na linha que divide as bandas do objeto.

    — É agora... – ele fala pra si mesmo.

    Xavier aponta a esfera para frente e aperta um botão que se encontrava bem no centro da mesma, entre a divisão das duas cores. A esfera se abre, uma luz vermelha sai de dentro dela, e se condensa na direção do chão. Por fim a esfera se fecha e no chão onde a luz, a energia, havia se condensado uma criatura pequena observava com olhos curiosos os arredores.

    Era um ser bípede que tinha uma pele lisa e alaranjada assim como uma cauda com aproximadamente a metade do tamanho de seu corpo com uma chama acesa na ponta. Do peito até a parte inferior do rabo uma cor mais clara era visível. As pernas da criatura eram bem curtas e os membros superiores também não eram lá grandes coisas, mas ambos os conjuntos tinham pequenas garrinhas em suas extremidades. No rosto da criatura grandes e curiosos olhos azuis, e pouco abaixo a boca com o que parecia ser um sorriso.


    File:004Charmander.png

    A criatura logo nota a Weedle e se põe à frente da mesma, como se fosse a coisa mais natural a ser feita. Os dois seres então se encaram e faíscas parecem sair de seus olhos.

    — ... Parece que de onde esse Charmander veio ele é chamado Pairi... Eu não vou chamar ele assim... O cara disse que o bicho atendia a apelidos... Eu acho... – o jovem resmunga baixo. - Iri! – o rapaz já fala num tom alto.

    O Pokémon laranja olha para o rapaz, expectativa nos olhos.

    — Use Scratch. – Xavier ordena, apontando para a Weedle.

    Iri levanta um de seus bracinhos e corre em direção a lagarta. A amarelada tenta desviar mas o Charmander aplica o golpe, fazendo com que o oponente seja empurrado alguns centímetros para trás e que pequenas marcas de garra apareçam no rosto do mesmo.

    — Bom, bom! Mais uma vez! – fala o treinador com animação.

    O pokémon obedece as ordens do treinador e segue rumo ao adversário novamente com seus bracinhos erguidos. A Weedle, no entanto, não era boba o suficiente para ficar parada e ser atacada novamente,  por tal ela se joga para o lado num simples trabalho de movimento. O lagarto laranja erra o ataque e sofre as conseqüências. A lagarta amarela investe o seu chifre contra o oponente, que cambaleia por alguns passos desconexos.

    Xavier não parecia estar gostando da batalha e seu rosto se distorce demonstrando sua impaciência, mas essa expressão não permanece em sua face por muito tempo, sendo logo substituída por uma que mostra convicção.

    — Iri, Flare Blitz! – o jovem grita para o seu parceiro.

    Os olhos do pequeno lagarto laranja brilham, e, como se erguesse seu espírito de luta, a chama de sua cauda aumenta numa rápida velocidade, até o ponto em que todo o seu corpo está encoberto por ela. Iri então se joga contra seu oponente, que, mesmo tentando desviar, não consegue escapar a tempo, sendo então consumido pelas chamas .

    Alguns poucos segundos depois o fogo baixa e a chama no rabo do Charmander se mostra menor do que originalmente era. Seu corpo estava com pequenas escoriações, mas seu oponente se encontrava num estado bem pior. A Weedle estava caída, queimada por todo o corpo, parecia completamente sem forças.

    O rapaz olha para a criatura chamuscada e fica com pena, não parecia correto largar aquele ser desse modo. Ele vai até a Weedle que não mais era amarela e, com cuidado para não encostar nos ferrões, a pega com uma mão e a leva para uma árvore, onde ele a deposita num dos galhos e sai de perto. A partir dali o destino da lagarta dependia apenas dela mesma.

    Xavier ao voltar para a estrada vê Iri o olhando com a cabeça ligeiramente inclinada. O rapaz sorri de leve e se abaixa, para acariciar a cabeça do pokémon.

    — Você fez bem, Iri, fez bem. – com uma voz meio fraca. – Agora vamos. Não vamos gastar o tempo que não temos.

    O jovem não sabia se a criatura havia entendido mas ele se põe a seguir novamente a trilha, dessa vez acompanhado de seu companheiro alaranjado que não havia sido retornado a pokébola.

    ...

    O sol forte do meio dia força uma parada nas jornadas de qualquer transeunte que passava por ali. Não era como se Kalos fosse uma região quente, muito pelo contrário, ela era conhecida por invernos rigorosos. Mas o verão é quase sempre uma época de altas temperaturas, em especial o daquele ano, que chegou a médias elevadas demais em relação aos anos anteriores.

    Xavier se recosta a uma árvore isolada, e, bufando, se senta no chão, onde seu companheiro pokémon estava deitado, já curtindo o descanso. Gotas de suor escorrem pelo rosto do jovem, que logo retira o agasalho que vestia. Não dava pra continuar daquele jeito. O calor estava infernal.

    — Se eu soubesse que seria assim... – ele fala para si mesmo. – Eu teria trazido mais água... – e olha para uma única garrafa de uns trezentos e sessenta mililitros, guardada em meio a bolsa que trazia consigo.

    O rapaz estica a mão e pega o recipiente. Logo em seguida retira a tampa e bebe, com curtos goles, o líquido da vida, a água límpida e transparente. Era extremamente refrescante a sensação da substância percorrendo-lhe a garganta, esta um pouco seca, e, como o resto de seu corpo, cansada por algumas horas de caminhada.

    O bom momento, no curto espaço de tempo que durou, lhe pareceu uma pequena eternidade. Mas não era algo feito para durar. Momentos assim sempre sofrem perturbações por partes externas.

    — Hgublah!

    E os braços do rapaz se estiram para frente de forma estranha, garrafa ainda em uma das mãos, virada num ângulo diagonal, derramando água corpo afora. O líquido que corria por sua boca é cuspido para fora, com uma pequena parte correndo para o canal errado dentro de sua garganta. Na região do abdômen, um estrago. Algo de certo tamanho havia se chocado contra ele. As vestes no local estavam amassadas, tal como a barriga de Xavier havia ficado durante a dispersão de força.

    Xavier desce uma de suas mãos para o peito, e, de cabeça baixa, começa a tossir, vendo nesse momento, com o canto do olho, aquilo que o atacou. Rajado em tons de marrom, mui peludo, com uma grande mancha preta ao redor de seus par de olhos.

    Resultado de imagem para Zigzagoon

    — Um Zigzagoon... Mas que filho da... – e ele volta a tossir, ainda sentindo pelo corpo os efeitos do impacto.

    A criatura, que era quadrúpede, larga o jovem que se contorcia e com hábeis movimentos sobe a árvore e numa galha, a pouco mais de dois metros do chão, o ser solta alguns pequenos grunhidos, como se debochasse do jovem que se desmanchava em dor mais abaixo.

    O rapaz então deixa de tremer de dor e se estremece de raiva. Ele estava com sangue nos olhos, com sede de vingança do mal que o assolou. Xavier então pega uma pedra do tamanho de um ovo do chão.

    — Iri, se prepara pra lutar. – ele fala com o lagarto laranja que descansava ao sol.

    O lagarto, meio sonolento, se levanta com o chamado do treinador. Xavier, ao ver Iri de pé, no mesmo movimento que um jogador de beisebol usaria pra arremessar uma bola, arremessa a pedra para próximo das patas do Zigzagoon que descansava no galho. Este último, por sua vez, pula em direção ao chão ao ver o objeto voando em sua direção.

    Neste momento, os olhos de Xavier brilham sinistramente.

    — Use Scratch, Iri! – o treinador ordena ao lagarto.

    O Charmander obedece a ordem e com suas pequenas garras se lança rumo ao ser peludo que tocava ao chão depois de um salto. A criatura felpuda percebe a aproximação do réptil mas não consegue desviar do golpe, que arranca um tufo de pelos e certamente deixou um ferimento na pele. O Zigzagoon sente o golpe e recua alguns passos rapidamente.

    — Iri, a batalha começa de verdade nesse instante. Não podemos falhar! Use Growl! – o treinador do lagarto ordena.

    Iri abre sua boca e libera um grito estridente e faz o seu oponente paralisar-se por um segundo, antes de correr rumo ao lagarto laranja. O ZIgzagoon avança com o peso de seu corpo para cima do Charmander, este acaba não desviando e é atingido pelo golpe, que o empurra por alguns bons centímetros. Tirando umas pequenas marcas em sua pele o lagarto não havia sofrido outros danos.

    Xavier dá um pequeno sorriso ao ver essa cena se desenrolar em sua frente. Observar lutas amadoras entre colegas e pesquisar sobre o assunto não era algo que havia feito em vão. Growl tinha cumprido seu propósito. Deixou o oponente receoso, com medo de algo que mesmo ele não sabe. Isso era fatal, afinal, tal coisa fazia golpes perderem a força que teriam caso a mente estivesse sã.

    — Iri! Mostre pra ele o motivo pelo qual ele não deveria ter agido contra nós! Continue com Scratch! – o rapaz ordena num tom forte.

    O Charmander avança contra o Zigzagoon assim que ouve a ordem. Mas este último não ficaria parado esperando tomar um golpe e se coloca em movimento, se aproveitando de sua velocidade para atacar o lagarto pelas mais diversas direções. Logo a luta se torna uma troca de socos, um toma lá dá cá. O quadrúpede investia com seu corpo contra o lagarto e este retribuía com arranhões na face.

    Em pouco tempo ambos já não estavam no seu estado de pico. O réptil tinha espalhadas pelo seu corpo algumas manchas roxas, causadas pelo impacto de seu oponente contra seu corpo. Já o outro não era mais tão peludo, e da sua testa até a ponta de seu nariz preto filetes de um líquido avermelhado escorriam.

    Xavier olha para ambos, e percebe que ali é o ponto decisivo do embate.

    — Flare Blitz, Iri. – ele fala numa voz mais baixa, como se anunciasse o fim de um jogo.

    O pequeno lagarto é logo envolto por labaredas e corre de encontro ao seu oponente. Zigzagoon tenta escapar, mas poucas forças lhe restavam e com isso ele acaba recebendo o impacto total do ataque. As chamas de Iri queimam parte dos pelos do quadrúpede e a força do golpe o arremessa a uma certa distancia. O ser atingido resigna ao destino e desmaia ali, em meio a relva.

    Iri cambaleia de volta ao seu treinador e olha para este com uma cara boba, como uma criança que diz aos pais que terminou uma tarefa. Xavier olha para seu Pokémon e estica uma pokébola em sua direção. Ele aperta o botão central da esfera. Esta se abre por alguns milésimos, libera uma energia luminosa que envolve o lagarto e o leva junto da luz de volta para dentro de si.

    O rapaz guarda a esfera de seu parceiro com um olhar pesado. Agora que havia esfriado a cabeça, sentiu remorso. Ele não estava acostumado a coisas assim. Era a segunda fez que fazia algo como aquilo naquele dia, e isso o atormentava. Batalhas são cruéis, e colocam a prova o que você sabe sobre si. Xavier não precisou de muito tempo para descobrir isso.

    O jovem olha para trás. Caído na grama, ferido, estava a criatura que foi oponente de seu Pokémon. Xavier não se sentiu bem ao ver aquele ser em tal estado sofrível. Estado que ele mesmo havia causado. De sua bolsa o rapaz retira uma esfera bicolor, rubro e branca, se aproxima do quadrúpede, agacha, e na criatura encosta o botão central da pokébola. Esta se abre e puxa o Zigzagoon para dentro de si assim como outra havia feito com Iri.

    A esfera se fecha.

    E ela chacoalha uma vez.

    E ela chacoalha duas.

    E, por fim, chacoalha uma terceira vez.

    Neste momento o som de algo travando ecoa nos ouvidos de Xavier ao mesmo tempo que a esfera brilha de forma singela. Xavier encara o objeto que segurava por alguns segundos, de maneira pensativa. Cercado por devaneios, de certo.

    Ao se levantar o rapaz olha para o céu e percebe que o sol agora já não podia mais ser visto, as nuvens o haviam escondido. Com isso, o jovem retoma o ritmo de viagem e segue pela rota num passo apressado.

    ...

    O cenário vai indo e vindo entre caminhos de terra e trechos tomados pela relva e já não se viam pessoas pela rota. Xavier estava cansado quando finalmente viu no final da estrada um tom de verde, este escuro e denso, que se expandia pela linha do horizonte.

    Quanto mais passos ele dava mais nítida ficava aquela expansão de cor. Eram árvores. Muitas árvores. Das mais variadas formas, cores e tamanhos, com suas copas esverdeadas se entrelaçando umas nas outras e sombreando o chão abaixo delas. Sons diversos escapavam daquele denso matagal, como o canto de algumas aves e o chiado de alguns insetos.

    Xavier olha para o suposto fim daquela estrada e percebe que este na verdade é uma entrada feita por mãos humanas para adentrar na selva a sua frente. O rapaz vai para o canto do caminho e se senta na relva ali presente. Ele futrica a bolsa que carregava consigo e dela pega duas pokébolas e aperta os botões centrais delas, assim então liberando alguns seres.

    Um lagarto laranja e um quadrupede marrom são as criaturas que saem das esferas, ambos com alguns ferimentos pelo corpo. O rapaz ao ver as duas criaturas volta a mexer em sua bolsa e dela retira um frasco azulado com um formato de “pato”.

    — Vamos cuidar desses machucados. – o rapaz fala com o frasco em mãos, do mesmo modo que se segura um spray.

    Ele puxa o réptil para perto de si e borrifa em algumas escoriações e contusões o conteúdo desse frasco, tal como massageia de leve algumas áreas mais afetadas para espalhar melhor o produto. O rapaz deposita este frasco de volta na bolsa e retira outro similar de imediato. Este ele usa no mamífero, borrifando em alguns cortes presentes no rosto e no corpo do ser, além de borrifar um pouco também nas queimaduras. Ao fim, Xavier pega da bolsa alguns curativos que havia trazido e os usa para tampar os cortes no corpo da criatura, para impedir que seguissem sangrando.

    O rapaz respira fundo ao terminar de tratar dos hematomas de seus Pokémon. Ele retorna ambos para suas pokébolas após alguns minutos de descanso e então se levanta devagar. Xavier se vira para o matagal denso e verdejante e segue em sua direção.

    Com sua bolsa ajeitada em seu ombro e o desejo de ir além, o rapaz passa pelo escuro portal situado entre as árvores, indo para um local onde a vida é exuberante, mas também astuta e perigosa.

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