• Notas do Autor sobre o Capítulo 4




    Bem, é a primeira vez que eu venho escrever notas de algum dos meus capítulos, e, em realidade, depois de tanta coisa que eu já fiz nesses 4 capítulos, o motivo de eu fazer isso agora pode ser estúpido, mas vamos lá.

    Basicamente, o que ocorre nesse capítulo que eu queria frisar é que aparece um Youngster nele. Entretanto, quem jogou os jogos que se passam em Kalos sabem que não tem Youngsters na rota 3. Pode parecer algo bobo de se falar, e irrelevante, mas eu queria muito explicar o motivo da aparição dele onde ele não deveria existir.

    Eu considero Youngster uma das classes de treinadores mais detestáveis de todas, com suas recorrentes aparições em começos de jogos e quotes idiotas. Quando fui escrever o capítulo, eu já tinha noção de querer um guri falando asneira, mas nenhuma das classes da rota me passava a sensação de quem falaria coisas assim de maneira escrachada. Solução: pegue um Youngster e coloque na rota. Simples e perfeito, né? 

    Sobre o resto do capítulo, devo dizer que a escrita foi difícil, mas não pelo que eu abordava nele, mas pelo tempo que eu dispunha pra escrevê-lo. O capítulo foi feito muito rapidamente pros meus padrões, foram uns 2 ou 3 dias de escrita, umas 6 horas de escrita se somasse o que eu escrevi em cada dia se pá. Foi complicado pois escrevi já pensando em cenas que eu iria remover ou alterar acordo a sua necessidade, pensando em já deixar ele compacto, mas não por isso sem qualidade ( espero ter mantido uma qualidade ). As ideias estavam todas ali, o que restava era organizar na cabeça e transcrever, mas falar é mais fácil do que fazer. Mas para a alegria dos meus colegas, o capítulo tá aí, prontinho.

    Um capítulo que considero simples e direto, que pode ser resumido na passagem pela rota 3 e pela primeira luta contra um treinador realizada por Xavier, e acreditem, isso é um fato importante, em principal pelo diálogo que vem depois, que embora tenha ficado um pouco aquém do que eu queria, é importante para botar a ideia de buscar Conhecimento ( com C maiúsculo mesmo, pra parafrasear um amigo ) na cabeça do nosso protagonista.

    Espero que tenham gostado da leitura, meus bons. Obrigado e até mais ver!
  • Capítulo 4: Um Caminho Que se Abre


           


           Os raios laranjados do sol vespertino tocavam em toda sua glória as folhas das plantas que ali se impunham. Quase que como numa linha reta uma divisão clara de ambientes distintos se fazia ali tendo de um lado um grande campo de relva baixa, arbustos espalhados, e algumas formações rochosas esparsas no horizonte, enquanto do outro árvores grandes e robustas se faziam presentes como um colossal exército verde.
  • SEMANA ESPECIAL NEO CONEXÕES, PORRA!


    Semana especial - Neo Conexões

    Olá, pessoal! A pandemia continua forte no mundo a fora e sentimos que pouco a pouco estamos nos separando socialmente de nossos colegas e amigos.

    Nós da Neo resolvemos mostrar para o mundo que é possível estar unido mesmo no isolamento social, portanto iremos fazer esta semana ser uma semana especial no blogs da aliança. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de Segunda-feira!

    Não, não é apenas uma nova semana "fique em casa", pois para simbolizar a conexão entre os autores, cada dia desta semana não terá apenas 1 capítulo, mas sim 2 capítulos, cada um de um autor diferente!

    Para fechar no sábado com chave de ouro, teremos duas grandes revelações para vocês, a primeira é que Alola estará recebendo um novo Autor e para comemorar sua estreia, teremos um grande anúncio que promete revolucionar nossa interação com vocês!


    Confiram nosso cronograma:

    04/05 - Segunda-feira
    Neo Pokémon Kanto
    Neo Pokémon Kalos 
    05/05 - Terça-feira
    Neo Pokémon Johto
    Neo Pokémon Mystery Dungeon 
    06/05 - Quarta-feira
    Neo Pokemon Orre
    Neo Pokémon Sinnoh 
    07/05 - Quinta-feira
    Neo Pokémon Unova
    Neo Pokémon Galar
    08/05 - Sexta-feira
    Neo Pokémon Hoenn
    Neo Pokemon Decolore
    09/05 - Sábado
    Neo Pokémon Alola
    Anúncio especial no blog de Alola

  • Neo Aliança contra o Covid-19



              Olá, pessoal! Com a pandemia do Covid-19, praticamente toda a população global passou a adotar medidas para diminuir a disseminação do vírus, desde medidas de higiene até o isolamento social. Sabemos que todos gostamos de estar perto daqueles que amamos, seja em casa ou na rua, por isso, nós da Neo Aliança decidimos fazer aqui uma semana especial para tornar esse período mais fácil para nossos leitores. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de hoje! Esperamos que esses capítulos sejam uma contribuição, ao menos que pequena, para tornar a quarentena de vocês mais fácil.
             Ah! E também teremos a inauguração de uma nova região ao final dessa semana. O Wall retornou à Neo Aliança e agora será responsável para dar vida aos personagens dos jogos do Pokémon Colosseum, da região de Orre!

            Lembrem-se! Manter distância é um ato de empatia, mas a leitura ultrapassa qualquer distância!

             Confiram nosso cronograma:

    21/03 - Sábado:Neo Pokémon Kalos
    22/03 - Neo Pokémon Mystery Dungeon 
    23/03 - Neo Pokémon Galar
    24/03 - Neo Pokémon Johto
    25/03 - Neo Pokémon Kanto
    26/03 - Neo Pokémon Unova
    27/03 - Neo Pokémon Hoenn
    28/03 - Neo Pokémon Sinnoh
    29/03 - Neo Pokemon Orre (Inauguração!)


  • Capítulo 3: O Pedido de uma Mulher


           A mata densa mal permitia a entrada de luz, árvores de tamanhos variados se entrelaçavam nos mais diferentes níveis. Os poucos raios de sol que trespassavam pelas copas das árvores causavam um efeito bonito de luzes, em filetes, cortando a escuridão.

           Xavier, no entanto, não parecia ligar para tal beleza, e se mostrava preocupado com outras coisas. Seus olhos passeavam inquietos pelo cenário ao seu redor, a procura de quaisquer movimentos por entre a grama que crescia debaixo das árvores ou nas galhas altas desses titãs com folhagem verde.

           Com passos lentos e visivelmente inseguros, ele vai atravessando uma pequena trilha, talvez feita por pessoas que passaram ali anteriormente a ele. As vezes uma brisa passava levantando as folhas diversas, e o som de seu farfalhar fazia com que o rapaz recuasse alguns passos rapidamente, e se virar para os lados procurando de onde o barulho veio, normalmente sem muito sucesso.

           Sim, ele estava com medo, algo ali o perturbava, embora muito provavelmente fosse apenas a falta de costume. Os olhos de Xavier passeiam atentamente por cada coisa que lhe parecia fora de lugar, sejam galhos, ramos, cipós ou mesmo as pedras de maior tamanho que apareciam no caminho, estas cobertas por musgo e líquen.

           O jovem para e olha para o alto, frustrado com algo.

           — COMO RAIOS EU SAIO DAQUI!? – ele grita com toda força possível.

           Algo parece responder sua questão.

           O baque de um objeto caindo lhe chama a atenção, e Xavier se vira para a fonte do som. Pequenos objetos, algo como coquinhos, caiam uns sobre os outros, e acabavam rachando, revelando assim seu interior podre. O rapaz se aproxima do local de onde os coquinhos estavam caindo, e olha para a copa do que parecia ser uma palmeira.

           Um pequeno macaco, de cor verde vívida em sua maior parte, pegava alguns dos frutos dos cachos da palmeira e os batia no tronco desta, e, quando ele parecia não gostar do que percebeu, jogava os objetos na pequena pilha que havia se formado abaixo dos vários metros de planta.

           O hábito peculiar chama a atenção do jovem treinador, que olhando para cima, em direção ao ser, se aproxima sem prestar atenção no caminho que percorria. Nisto, um tropeço foi inevitável.

           Cambaleando de um lado a outro, e com total falta de equilíbrio, o jovem acaba por se chocar contra algo de tamanho considerável. Com isso o rapaz por cair sentado no chão. Xavier olha para cima num gesto reflexivo.

           Alta, formosa, e claramente com raiva, uma loiríssima mulher ali se punha, de pé,a reclamar do sujeito no qual havia trombado. Palavras de baixo escalão saiam pelos lábios rosados que se distorciam em movimentos largos. A moça com suas longas pernas pisoteava as plantas do entorno em fúria, parecendo não importar com os espinhos de algumas plantas, que furavam o jeans colado que usava. O momento de estresse logo passa, e sob o olhar confuso e perplexo de um jovem, a mulher respira fundo, expira e então fecha os olhos, a pele bronze ainda com um avermelhado decorrente da raiva, e suor escorrendo da testa ao queixo, e do queixo caindo para a camiseta amarela.

           Xavier se levanta do chão com certa cautela, e bate em suas roupas, para tentar tirar um pouco da terra e folhas que ali poderiam ter grudado. A moça, por sua vez, abre os olhos e, encarando o rapaz, começa a falar.

           — Você por acaso não presta atenção no seu caminho? – com uma voz aveludada, mas firme. – Você poderia realmente ter me machucado. Estava com a cabeça nas nuvens por acaso?!
    O rapaz simplesmente tenta negar movimentando sua cabeça de um lado a outro. Ele queria ter dito algo, mas acabara por perceber que sua boca parecia não seguir os seus comandos. A mulher pareceu não se importar com o que o rapaz tentava dizer.

           — Se eu ainda fosse um blackbelt… – a mulher resmunga. – Ei, garoto. – ela de repente para e se vira para o jovem. – Já que nos encontramos aqui quer dizer que existe algum destino entre nós, e você vai me ajudar com o que eu preciso! – ela proclama num tom autoritário.

           O rapaz parece desesperar-se.

           — Como assim, moça?! Te ajudar com o quê? Eu nem te conheço! – ele fala num tom visivelmente alterado por algum tipo de pressão que ele mesmo desconhecia.

           A mulher franzi o cenho e fica com a tez obscurecida, como se pensasse em algo, mas logo parece encontrar a resposta para qualquer que fosse o problema.

           — O problema é não nos conhecermos, certo? – ela pergunta, num tom sério. – Meu nome é Nova, gosto de pokémons exóticos e viajar em busca de novos ares. E você, qual o seu nome? – pergunta.

           — X-Xavier… – o outro responde, meio intimidado.

           — Muito prazer em te conhecer, Xavier. E então? Já nos conhecemos o suficiente? – ela pergunta divertidamente, mas com um brilho perigoso no olhar.

           O rapaz acena com a cabeça, como se dissesse sim repetidas vezes. Parecia que um certo medo daquela mulher já estava se instalando no pobre coração do rapaz.

           — Pois então. – já começa a mulher. – Eu preciso de sua ajuda para encontrar isto! – e tira de um bolso da sua calça um papel, com o desenho realista de um inseto elegante, uma borboleta. – Um Vivillon! E não é um Vivillon qualquer, e sim um super raro Vivillon com padrão “Fancy”! Tem suas asas majoritariamente num tom rosa suave, e nas pontas destas uma variação de cores que passeiam entre tons de verde, roxo, vermelho e branco! Ele é lindo! – grita como se estivesse falando do seu astro favorito.

           O jovem fica meio sem entender o que estava acontecendo, e murmurava coisas como “okay” e “tá bom”.

           — Vamos lá! Levante daí e já procure! Não perca tempo! – diz ela batendo palmas na direção do garoto, mas de modo similar a quando alguém quer afastar algo com o barulho considerado irritante.

           O garoto se levanta num susto, como se a própria existência da moça lhe causasse tensão e com pressa pôs-se a caminho da estranha nova missão que havia recebido: achar um Vivillon raro…

    ...

           As escarpas das árvores relavam na pele do rapaz, que tentava se movimentar da forma mais adequada ao ambiente em que estava. Ali por onde ele passava em tal momento a mata era mais densa e mais disforme, colaborando com o infortúnio do jovem para gerar maior tormento que o esperado, e dificultar a busca pelo raro inseto colorido que buscava.

           Embora Xavier não entendesse o por quê dele estar seguindo o pedido da mulher, ele estava fazendo o seu melhor, evitando criar quaisquer ruídos desnecessários para não assustar e afastar os seres viventes da região. Mesmo quando algo raspava em si e lhe feria ele engolia a dor e seguia no silêncio.

           Não tarda e os sinais de presença de vida animal se mostram nítidos. O chiar de insetos, as arfadas de pequenos quadrupedes e o guinchar de macacos traziam “música” para o local. Logo mais cores e formas vivas e variadas entram no campo  de visão do rapaz, que se via diante de uma clareira; um espaço aberto dentro de uma floresta tão fechada.

           Na clareira várias criaturas brincavam umas com as outras, se jogando, dançando e exprimindo sons dos mais diversos tipos. Muitas delas eram do tipo inseto, com exuberantes borboletas de um tom escuro e olhos avermelhados, as Butterfrees e valentes zangões listrados em amarelo e preto, com grandes ferrões lanças em seus membros, os Beedrills encenando com muita graça uma espécie de show dos ares. Lagartas verdes e amarelas, Caterpies e Weedles, comiam frutas e folhas suntuosas, e algumas acabavam por se ajeitar próximas ao tronco de uma árvore, para serem então tomadas por um brilho forte e ressurgirem como casulos serenos e esverdeados e casulos amarelados e intimidadores. Alguns Vivillons de diferentes cores e padrões voavam mais alto, numa dança aérea sincronizada, e suas formas anteriores, os Spewpa e os Scatterbug, respectivamente uma espécie de casulo coberto por algo similar a seda e pó e uma lagartinha cinzenta de jeito engraçado, jaziam numa área mais afastada, num local cheio dos fios de seda criada por estes.

           Mas o que o deixava admirado era o fato de que ali estava aquilo que procurava. Sim, estava ali. Num voo diferenciado por sua altura e esplendor, num ponto onde os raios de luz solar pareciam se convergir mais do que o normal, como se as luzes se focassem em um único sujeito, ali estava um Vivillon de padrões ricos e refinados, passando por várias cores e tons, mas se sobressaindo o vivo verde de suas asas.

    File:666Vivillon-Fancy.png

           O Vivillon “Fancy” se sobressaia em relação aos demais pokémon da área em todos os quesitos imagináveis. Era claro quem era o soberano da floresta, e todo soberano que se preze tem sua guarda especial, e com este raro espécime não era diferente. Uma série de macacos de pelos em verde, azul e vermelho se situavam em torno do Vivillon, como se assegurassem o perímetro e resguardassem sua majestade em segurança máxima.

           Xavier logo se viu numa situação complicada, sabia que estava enrascado. Como pegar tal criatura sem sofrer retaliação de tantos outros seres ali presentes? O rapaz só conseguiu pensar em uma resposta: distração.

           Pegando duas esferas multicoloridas de sua bolsa, ele se afasta um pouco da clareira e aperta um botão localizado ao centro de cada uma, fazendo com que elas se abram e liberem um raio luminoso que se condensa em duas criaturas; um Charmander e um Zigzagoon.

           — Iri, Goon, preciso que me ajudem. – diz solene Xavier. – Mais a frente existe uma clareira com um grande grupo de pokémons. Quero que vocês façam ataques próximos a cada grupo de criaturas e instaurem o pânico, não importa como. Mantenham-se em movimento para não sofrerem com alguma sorte de contra ataque. Eu tenho algo para pegar ali enquanto vocês causam o distúrbio… E quando eu pegar esse algo, lhes darei um sinal. Quando ouvirem o sinal, e ele será claro, vocês fogem dali. Vocês entenderam alguma coisa? Espero que sim.

           O Charmander balança a cabeça repetidas vezes, e o Zigzagoon grunhi, ao menos parecia um aceno de confirmação.

           — Eu não achei que eu fosse começar a falar feito um doido tão cedo… – sussurra o jovem, quase inaudível.

           O rapaz logo então se posiciona atrás de um arbusto na borda da clareira, e espia pra ver a situação. Ele olha para os seus pokémons e acena para eles, e as duas criaturas correm em direções opostas. Não tarda e algo começa a ocorrer ao centro do local. Um monte de frutas que estava rodeado por pequenos insetos tem seus componentes voando pelos ares, fazendo uma chuva de polpa e sumo cair no grupo de criaturas que antes estavam felizes, então esbabacados e por fim que ficariam furiosos com um peludo ser que aparecera ali.

           Os macacos que serviam de guarda foram logo ver do que se tratava a comoção, mas um deles, de cor verde, foi surpreendido com uma golfada de brasas no topo de sua cabeça, fazendo com que ele gritasse e batesse as patas no “topete” que tinha, queimando-as também e por consequência começando a se debater, o que chama a atenção dos outros macacos  que se dividem entre cuidar do aliado caído e procurar a nova ameaça, logo avistada na forma de um lagarto laranja.


           O caos estava plantado.

           Xavier de seu esconderijo procura o Vivillon que motivou suas ações, e não tarda em o fazer. Confusa com a situação, a criatura dava voltas no ar, indo para lá e para cá, sem ter noção de pra onde deveria ir. O rapaz de azul sabia que sua oportunidade estava ali, naquele momento em que os macacos e os insetos estavam distraídos perseguindo dois malfeitores escorregadios.

           O jovem retira da bolsa uma esfera bicolor, em vermelho e branco, e com este objeto em mãos corre em direção ao monarca dos ares, por um caminho com poucos obstáculos. Logo, a distância entre o caçador e a caça era próxima.

           A borboleta percebe a aproximação do outro, e tenta escapar, mas Xavier não hesita e num arremesso digno de um lugar numa partida de basebol, ele lança a esfera contra o inseto, que não consegue reagir a tempo e é sugado para dentro do objeto após ser envolvido por uma série de luzes fortes.

           O suor escorre pela testa do rapaz que saca outra bola já pensando no pior, cujos olhos não sabem se encaram a esfera trepidando ao chão ou os pokémons que pareciam ter notado algo estranho ocorrendo. Um brilho leve toma conta do objeto em questão e um pequeno barulho mecânico estala e preenche os ouvidos do jovem, que sorri largamente em presença dessa cena. Ele corre rumo a pokébola, a retira do chão e a guarda em sua mochila com rápidos movimentos, e segue em alta velocidade para um caminho entre as árvores na borda da clareira, gritando:

           — CORRE NEGADA! SEBO NAS CANELAS!

           As criaturas de cor laranja e marrom que distraiam os seres da clareira então se colocam a correr para fora dali, se voltando mata adentro.


           O arfar de sua boca era audível no meio daquele espaço inóspito no meio do coração da mata. O rapaz cansado vestido em azul estava parado com as mãos no joelho, respirando com dificuldades. Ele havia corrido muito. Fugir daquele grupo de pokémons não tinha sido uma tarefa fácil. Quantos obstáculos não teve de passar para poder despistar aquelas criaturas? Eram demais para serem contados. Definitivamente depois de tantos galhos, espinhos, troncos, raízes e entre outros, o rapaz não poderia estar nada além de exausto.

           Após alguns minutos tentando regular sua condição, o jovem se põe a olhar o entorno, em busca de compreender a locação em que está. Com pequenos passos ele anda por entre algumas árvores, na tentativa de achar alguma pista que possa o levar a encontrar seus dois parceiros, que se separaram dele durante a fuga da clareira.

           Não tarda muito para ele noticiar algo estranho acontecendo. Um faixo de mato não muito grande se mexia como se algo estivesse ali, tal como estava. Uma lagartinha cinzenta e com cara de assustada, com um colar de “pelo” e três fiapos saindo do topo da cabeça.

           O rapaz trava. Sabia que aquela criatura era um scatterbug, e que possivelmente era uma daquelas que estavam na clareira, ou menos tivessem uma ligação. O pokémon também para, e encara o rapaz, e numa velocidade lenta e constante, vai abrindo a pequena boca.

           — Bichinho filho da mãe… Não grita… – sussurra Xavier entre dentes, enquanto pensa num curso de ação.

           Um chiado começa a ser ouvido, indo aumentando gradualmente, acompanhando a abertura da boca do pequeno animal. O rapaz se desespera, e age impulsivamente seguindo a primeira coisa que conseguiu pensar.

           Metendo suas mãos em sua bolsa, ele a abre com certo desajeito e pressa, e do mesmo modo retira uma esfera, uma pokébola, de dentro dela, e a arremessa no Scatterbug, que logo é envolvido por uma forte luz e absorvido pra dentro da bola, que se fecha, cai no chão com um baque surdo, e balança algumas vezes, até que um *clique* pode ser ouvido. Com uma captura bem sucedida, o chiado é interrompido.

           O rapaz suspira em alívio, mas não fica parado a espera de qualquer coisa que possa ter ouvido o chamado do pequeno pokémon, saindo então dali de forma ligeira após pegar a esfera que no chão estava.

       

           Após um certo tempo, que Xavier supunha ter sido algo próximo a uma hora, seus pokémons que haviam se separado dele o encontram próximos a uma grande árvore seca e retorcida. Assim Xavier se senta junto a relva e cuida de si e dos pequenos, dando-lhes alimento e cuidados, tanto para estes que estavam em fuga pela floresta quanto ao novo membro.

           Durante o manejamento e aplicação de remédios e curativos nos dois que fizeram tanto durante os eventos da clareira, o rapaz não pode deixar de notar algo que não havia observado antes em um de seus companheiros. O Charmander tinha algumas manchas de cor um pouco mais escuras que o resto de seu corpo ao longo de suas costas. O rapaz não havia prestado muita atenção as criaturas que com ele estavam, mesmo no trato anterior, antes do ocorrido recente. Ele começava a entender eles como os companheiros que realmente são, e por tal se pôs a prestar mais atenção neles.

           “ Isso me parece meio anormal… O que será que pode ser? ” pensa intrigado o rapaz, que logo deixa de lado o pensamento, se preocupando então com achar a mulher que havia lhe dado aquela missão.

           Xavier retorna seus pokémons para suas respectivas esferas, para então prosseguir com sua busca pela pessoa que havia lhe feito aquele pedido. Por entre galhas e vinhas, escoriações e arranhados, o jovem segue sua procura.

           Já no que parecia ser o meio da tarde, talvez próximo do fim, ele encontra Nova, a mulher para qual teve de fazer aquela infernal busca por um Vivillon. Ao final de tudo, ela estava num local próximo a algumas árvores frutíferas, agachada encarando com uma careta um ser amarelo com algumas marcas de queimadura. Profundas marcas de queimadura…

           — Erh… Nova? O que está fazendo? Por que está encarando um- – o rapaz para sua frase na metade, e ao olhar para o animal, ele pareceu ter uma revelação. – EU CONHEÇO ESSA WEEDLE! – por fim ele grita.

           A mulher para por um instante de olhar para a criatura e se volta para o jovem.

           — Foi você que causou as queimaduras nessa lagarta? – questiona com imensa seriedade.

           Xavier sente seu rosto esquentar e ficar rubro de vergonha.

           — Sim, fui eu… – responde quase murmurando.

           A mulher suspira, como se estivesse encarando um caso perdido.

           — Pois fez bem. – diz ela para o rapaz.

           O rapaz, que esperava por uma repreensão ou algo mais severo, fica sem reação.

           — Hã? Quê? – confuso, o rapaz fala após alguns segundos.

           Nova se levanta e, tirando uma pokébola de suas vestes, ela a aposta para a Weedle, que é sugada para dentro da esfera que logo é retornada para o lugar de onde foi retirada.

           — Eu disse que fez bem. – a mulher repete. – Bem feito pra essa criatura que veio roubar minha comida enquanto eu estava distraída. Mas bem, conseguiu pegar o Vivillon? – ela pergunta enfim sobre o principal assunto que tinham a tratar um com o outro.

           Xavier acena com a cabeça em afirmação, e retira uma pokébola de sua bolsa, e a entrega pra mulher, esta que encara por alguns segundos a bola bicolor e a guarda em um dos bolsos de seu jeans.

           — Não vai abrir e verificar se eu peguei realmente? – o rapaz pergunta, meio encabulado.

           A mulher inclina um pouco a cabeça e sorri de leve.

           — Não vou, eu confio em você. – ela diz de forma suave. – Aliás, lhe peço desculpas. Depois que me acalmei percebi que não era certo eu ter te mandado fazer isso pra mim, mas aí já era tarde demais. – solene.

           O mais jovem tira seu boné e o segura em frente ao peito, e baixa a cabeça de modo que ela ficasse um pouco inclinada para um lado, e coça a mesma, meio sem jeito.

           — Não precisa se desculpar… O que ocorreu já está no passado… – fala da melhor maneira que pôde.

           Nova coloca suas mãos nos bolsos de sua calça, e olha para o céu, ou ao menos ao pouco que era visível por entre as copas das árvores.

           — Já está ficando tarde… – ela observa. – Você deve estar indo pra Santalune, não é? Sabe como sair da floresta? — interroga ela ao mais novo.

           — Realmente eu me dirigia pra lá… Mas sendo sincero, eu não sei o caminho se for partir do ponto em que estamos. — ele replica.

           A mais velha então abre um sorriso largo, e diz:

           — Perfeito! Eu estou residindo em Santalune faz um tempo, e sei como sair daqui. Você não se importa de me acompanhar, né?

           — Nem um pouco. – e ajeita a bolsa que carrega.

           Assim, ambos partem daquela parte da floresta, conversando e, com isso, conhecendo mais um ao outro.
  • Capítulo 2: Onde a Realidade Começa


    No meio de uma área verde com bastante grama e arbustos, uma estradinha de terra se estende por alguns quilômetros. Algumas pessoas caminham por ali, seguindo para norte ou para sul. O céu com poucas nuvens mostra seu esplendor azul, e o sol banha tudo ali com sua luz. Ali era a rota dois, que servia de elo entre Aquacorde e um vasto aglomerado de árvores, a floresta de Santalune.
    Num ponto qualquer da rota, um rapaz vestido em azul caminha para o norte, em direção a floresta.
    - Eu devia ter deixado a jaqueta na bolsa. – Xavier reclama ao limpar o suor de sua testa. – Mas bem, isso não importa. Não vou parar tão cedo só pra tirar a blusa. – e segue caminhando.
    Estava sendo bem tranquilo caminhar por ali se o sol fosse tirado da equação. O farfalhar de folhas, o gorjeio dos pássaros e o caminho livre eram bastante relaxantes, e faziam com que o caminho valesse a pena.
    Xavier acaba por chegar num trecho da rota que apresentava um problema comum em estradas pouco utilizadas, o mato, que cobria pouco mais do que uns dez metros de extensão. A erva daninha crescia desigual por ali, em alguns locais estando bem rala, e em outros estando em moitas na altura do joelho.
    O jovem se atenta ao andar ali. Com cuidado, pé a pé, ele vai passando pelo mato. Um barulho. O rapaz trava no lugar, mas vira sua cabeça a tempo de ver algo se mexer. Dela, uma criatura vai aos poucos se revelando, até aparecer por completo no campo de visão de Xavier.
    Era um ser pequeno, do corpo amarelado. Parecia algum tipo de lagarta, com o corpo dividido em sessões esféricas de tamanho decrescente da cabeça ao rabo. No rosto, um par de olhos pretos e brilhantes, uma coisa avermelhada com o formato de uma batata e um notável chifre. No final do corpo, havia um ferrão pouco menor que o chifre em sua cabeça, pronto para qualquer surpresa.
    - Eu já vi isso antes... – Xavier murmura. – Acho que é uma Weedle... Alguns colegas tinham delas... Ouvi dizer que ser ferroado por isso pode causar infecções graves...
    O inseto parece não ligar muito para o rapaz, visto que com suas pequenas patinhas ia caminhando com um balançado peculiar para outra moita. O jovem nota o ritmo o inseto em sua travessia, e não se movimenta durante esse tempo, para minimizar as chance de interessar a criatura. A Weedle some no mato logo depois, e Xavier segue em frente, saindo então do trecho gramado.
    O jovem olha para trás, como se gravasse em sua mente o curto momento de perigo, e segue novamente seu rumo. Não tarda muito e outro trecho mais difícil aparece como empecilho no caminho. Neste o mato já se encontrava mais alto, mais denso no geral. Xavier suspira, e caminha para dentro do conjunto de moitas.
    A passos largos, o rapaz atravessa a erva daninha, numa tentativa de diminuir o tempo gasto ali. O trecho não era muito longo e Xavier acaba voltando logo para a estrada de terra. Mas isso não foi de muita ajuda.
    Na estrada uma outra Weedle surge , esta mais curiosa que a anterior, olha em direção ao rapaz e, sem qualquer razão, se põe a ir para ele, mas a intenção da criatura era clara como o dia ao se atentar para o ferrão em sua cauda curvada para cima.
    Xavier começa a suar frio. Ali acabava a brincadeira. Ali as coisas eram realidade. Ali não se podia bobear. Ele fecha os olhos, respira fundo, e então os abre. Suas mãos vão para a bolsa que carregava, de onde ele tira uma esfera multicolorida, com a metade inferior branca, e a metade superior sendo amarela e preta, com uma seta vermelha que aponta para um botão central localizado na linha que divide as metades do objeto.
    - É agora... – ele fala pra si mesmo.
    Xavier aponta a esfera para frente e aperta um botão que se encontrava bem no centro da mesma, entre a divisão das duas cores. A esfera se abre, uma luz vermelha sai de dentro dela, e se condensa na direção do chão. Por fim, a esfera se fecha, e no chão onde a luz, a energia havia se condensado, uma criatura pequena observa com olhos curiosos os arredores.
    Era um ser bípede, tinha uma pele lisa e alaranjada e uma cauda com aproximadamente a metade do tamanho de seu corpo com uma chama acesa na ponta. Do peito até a parte inferior da cauda uma cor mais clara era visível. As pernas da criatura eram bem curtas, e os membros superiores também não eram lá grandes coisas, mas ambos os conjuntos tinham pequenas garrinhas. No rosto da criatura, grandes e curiosos olhos azuis, e pouco abaixo a boca com o que parecia ser um sorriso.

    File:004Charmander.png

    A criatura logo nota a Weedle, e se põe à frente da mesma, como se fosse a coisa mais natural a ser feita. Os dois seres então se encaram, e faíscas parecem sair de seus olhos.
    - ... Parece que de onde esse Charmander veio ele é chamado Pairi... Eu não vou chamar ele assim... O cara disse que o bicho atendia a apelidos... Eu acho... – o jovem resmunga baixo. - Iri! – o rapaz já fala num tom alto.
    O Pokémon laranja olha para o rapaz, expectativa nos olhos.
    - Use Scratch. – Xavier ordena, apontando para a Weedle.
    Iri levanta um de seus bracinhos e corre em direção a lagarta. A amarelada tenta desviar, mas o Charmander aplica o golpe, fazendo com que o oponente seja empurrado alguns centímetros para trás, e pequenas marcas de garra apareçam no rosto do mesmo.
    - Bom, bom! Mais uma vez! – fala o treinador com animação.
    O pokémon obedece as ordens do treinador, e segue rumo ao adversário novamente com seus bracinhos erguidos. A Weedle, no entanto, não era boba o suficiente para ficar parada e ser atacada novamente, e por tal ela se joga para o lado num simples trabalho de movimento. O lagarto laranja erra o ataque, e sofre as conseqüências. A lagarta amarela investe o seu chifre contra o oponente, que cambaleia por alguns passos desconexos.
    Xavier não parecia estar gostando da batalha, e seu rosto se distorce demonstrando sua impaciência, mas essa expressão não permanece em sua face por muito tempo, sendo logo substituída por uma que mostra convicção.
    - Iri, Flare Blitz! – o jovem grita para o seu parceiro.
    Os olhos do pequeno lagarto laranja brilham, e como se erguesse seu espírito de luta, a chama de sua cauda aumenta numa rápida velocidade, até o ponto em que todo o seu corpo está encoberto por ela. Iri então se joga contra seu oponente, que mesmo tentando desviar, não consegue escapar a tempo, sendo então consumido pelas chamas .
    Alguns poucos segundos depois, o fogo baixa, e a chama no rabo do Charmander se mostra menor do que originalmente era. Seu corpo estava com pequenas escoriações, mas seu oponente se encontrava num estado bem pior. A Weedle estava caída, queimada por todo o corpo, parecia completamente sem forças.
    O rapaz olha para a criatura chamuscada e fica com pena, não parecia correto largar aquele ser desse modo. Ele vai até a Weedle que não mais era amarela e, com cuidado para não encostar nos ferrões, a pega com uma mão, e a leva para uma árvore, onde ele a deposita num dos galhos, e sai de perto. A partir dali, o destino da lagarta dependia apenas dela mesma.
    Xavier ao voltar para a estrada vê Iri o olhando com a cabeça ligeiramente inclinada. O rapaz sorri de leve, e se abaixa, para acariciar a cabeça do pokémon.
    - Você fez bem, Iri, fez bem. – com uma voz meio fraca. – Agora vamos. Não vamos gastar o tempo que não temos.
    O jovem não sabia se a criatura havia entendido, mas ele se põe a seguir novamente a trilha, mas dessa vez acompanhado de seu companheiro alaranjado que não havia sido retornado a pokébola.
    ...
    O sol forte do meio dia força uma parada nas jornadas de qualquer transeunte que passava por ali. Não era como se Kalos fosse uma região quente, muito pelo contrário, ela era conhecida por invernos rigorosos. Mas o verão é quase sempre uma época de altas temperaturas, em especial o daquele ano, que chegou a temperaturas elevadas demais em relação aos anos anteriores.
    Xavier se recosta a uma árvore isolada, e bufando se senta no chão, onde seu companheiro pokémon estava deitado, já curtindo o descanso. Gotas de suor escorrem pelo rosto do jovem, que logo retira o agasalho que vestia. Não dava pra continuar daquele jeito. O calor estava infernal.
    - Se eu soubesse que seria assim... – ele fala para si mesmo. – Eu teria trago mais água... – e olha para uma única garrafa de uns trezentos e sessenta mililitros, guardada em meio a bolsa que trazia consigo.
    O rapaz estica a mão e pega o recipiente, logo em seguida retira a tampa e bebe, com curtos goles, o líquido da vida, a água límpida e transparente. Era extremamente refrescante a sensação da substância percorrendo-lhe a garganta, esta um pouco seca, e como o seu corpo, cansada por algumas horas de caminhada.
    O bom momento, no curto espaço de tempo que durou, lhe pareceu uma pequena eternidade. Mas não era algo feito para durar. Momentos assim sempre sofrem perturbações por partes externas.
    - Hgublah!
    E os braços do rapaz se estiram para frente de forma estranha, garrafa ainda em uma das mãos, virada num ângulo diagonal, derramando água corpo afora. O líquido que corria por sua boca é cuspido para fora, com uma pequena parte correndo para o canal errado dentro de sua garganta. Na região do abdômen, um estrago. Algo de certo tamanho havia se chocado contra ele. As vestes do local estavam amassadas, tal como a barriga de Xavier havia ficado durante a dispersão de força.
    Xavier desce uma de suas mãos para o peito, e de cabeça baixa começa a tossir, vendo nesse momento, com o canto do olho, aquilo que o atacou. Rajado em tons de marrom e peludo, com uma grande mancha preta ao redor de seus par de olhos.

    Resultado de imagem para Zigzagoon
    - Um Zigzagoon... Mas que filho da... – e ele volta a tossir, ainda sentindo pelo corpo os efeitos do impacto.
    A criatura, que era quadrúpede, larga o jovem que se contorcia e com hábeis movimentos sobe a árvore, e numa galha, a pouco mais de dois metros do chão, o ser solta alguns pequenos grunhidos, como se debochasse do jovem que se desmanchava em dor mais abaixo.
    O rapaz então deixa de tremer de dor, e se estremece de raiva. Ele estava com sangue nos olhos, com sede de vingança do mal que o assolou. Xavier então pega uma pedra do tamanho de um ovo do chão.
    - Iri, se prepara pra lutar. – ele fala com o lagarto laranja que descansava ao sol.
    O lagarto, meio sonolento, se levanta com o chamado do treinador. Xavier, ao ver Iri de pé, no mesmo movimento que um jogador de beisebol usaria pra arremessar uma bola, arremessa a pedra para próximo das patas do Zigzagoon que descansava no galho. Este último, por sua vez, pula em direção ao chão ao ver o objeto voando em sua direção.
    Neste momento, os olhos de Xavier brilham sinistramente.
    - Use Scratch, Iri! – o treinador ordena ao lagarto.
    O Charmander obedece a ordem, e com suas pequenas garras se lança rumo ao ser peludo que tocava ao chão depois de um salto. A criatura felpuda percebe a aproximação do réptil, mas não consegue desviar do golpe, que arranca um tufo de pelos e certamente deixou um ferimento na pele. O Zigzagoon sente o golpe, e recua alguns passos rapidamente.
    - Iri, a batalha começa de verdade nesse instante. Não podemos falhar! Use Growl! – o treinador do lagarto ordena.
    Iri abre sua boca e libera um grito estridente e faz o seu oponente paralizar-se por um segundo, antes de correr rumo ao lagarto laranja. O ZIgzagoon avança com o peso de seu corpo para cima do Charmander, mas este acaba não desviando, e é atingido pelo golpe, que o empurra por alguns bons centímetros. Tirando umas pequenas marcas em sua pele, o lagarto não havia sofrido outros danos.
    Xavier dá um pequeno sorriso ao ver essa cena se desenrolar em sua frente. Observar lutas amadoras entre colegas e pesquisar sobre o assunto não era algo que havia feito em vão. Growl tinha cumprido seu propósito. Deixou o oponente receoso, com medo de algo que mesmo ele não sabe. Isso era fatal, afinal, tal coisa fazia golpes perderem a força que teriam caso a mente estivesse sã.
    - Iri, mostre pra ele o motivo pelo qual ele não deveria ter agido contra nós! Continue com Scratch! – o rapaz ordena num tom forte.
    O Charmander avança contra o Zigzagoon assim que ouve a ordem, mas este último não ficaria parado, e se coloca em movimento, se aproveitando de sua velocidade para atacar o lagarto pelas mais diversas direções. Logo a luta se torna uma troca de socos, um toma lá dá cá. O quadrúpede investia com seu corpo contra o lagarto, e este retribuía com arranhões na face.
    Em pouco tempo ambos já não estavam no seu estado de pico. O réptil tinha espalhadas pelo seu corpo algumas manchas roxas, causadas pelo impacto de seu oponente contra seu corpo. Já o outro não era mais tão peludo, e da sua testa até a ponta de seu nariz preto filetes de um líquido avermelhado escorriam.
    Xavier olha para ambos, e percebe que ali é o ponto decisivo do embate.
    - Flare Blitz, Iri. – ele fala, numa voz mais baixa, como se anunciasse o fim de um jogo.
    E o pequeno lagarto é logo envolto por labaredas, e corre de encontro ao seu oponente. Zigzagoon tenta escapar, mas poucas forças lhe restavam, e ele acaba recebendo o impacto total do ataque. As chamas de Iri queimam parte dos pelos do quadrúpede, e a força do golpe o arremessa a uma certa distancia. E ele resigna ao destino, e desmaia ali, em meio a relva.
    Iri cambaleia de volta ao seu treinador, e olha para este com uma cara boba, como uma criança que diz aos pais que terminou uma tarefa. Xavier olha para seu Pokémon, e estica uma pokébola em sua direção. Ele aperta o botão central da esfera, e esta se abre por alguns milésimos, libera uma energia luminosa que envolve o lagarto e o leva junto da luz de volta para dentro de si.
    O rapaz guarda a esfera de seu parceiro com um olhar pesado. Agora que havia esfriado a cabeça, sentiu remorso. Ele não estava acostumado a coisas assim. Era a segunda fez que fazia algo como aquilo em tal dia, e isso o atormentava. Batalhas são cruéis, e colocam a prova o que você sabe sobre si. Xavier não precisou de muito tempo para descobrir isso.
    O jovem olha para trás. Caído na grama, ferido, estava a criatura que foi oponente de seu Pokémon. Xavier não se sentiu bem ao ver aquele ser em tal estado sofrível. Estado que ele mesmo havia causado. De sua bolsa o rapaz retira uma esfera bicolor, rubro e branca, se aproxima do quadrúpede, se agacha, e neste encosta o botão central da pokébola. Esta se abre, e puxa o Zigzagoon para dentro de si assim como outra havia feito com Iri.
    A esfera se fecha.
    E ela chacoalha uma vez.
    E ela chacoalha duas.
    E por fim, chacoalha uma terceira vez.
    Neste momento, o som de algo travando ecoa nos ouvidos de Xavier ao mesmo tempo que a esfera brilha de forma singela. Xavier encara o objeto que segurava por alguns segundos, de maneira pensativa, cercado por devaneios, de certo.
    Ao se levantar, o rapaz olha para o céu, e percebe que o Sol agora já não podia mais ser visto, as nuvens o haviam escondido. Com isso, o jovem retoma o ritmo de viagem, e segue pela rota num passo apressado.
    ...
    O cenário vai indo e vindo entre caminhos de terra e trechos tomados pela relva, e a já não se viam pessoas pela rota. Xavier já estava cansado quando finalmente viu, no final da estrada, um tom de verde, escuro e denso, que se expandia pela linha do horizonte.
    Quanto mais passos ele dava, mais nítida ficava aquela expansão de cor. Eram árvores. Muitas árvores, das mais variadas formas, cores e tamanhos, com suas copas esverdeadas se entrelaçando umas nas outras, e sombreando o chão abaixo delas. Sons diversos escapavam daquele denso matagal, como o canto de algumas aves e o chiado de alguns insetos.
    Xavier olha para o suposto fim daquela estrada, e percebe que este na verdade é uma entrada feita por mãos humanas para adentrar na selva a sua frente. O rapaz vai para o canto da estrada e se senta na relva ali presente. O rapaz futrica a bolsa que carregava consigo, e dela pega duas pokébolas, e aperta os botões centrais delas, assim então liberando alguns seres.
    Um lagarto laranja e um guaxinim marrom são as criaturas que saem das esferas, ambos com alguns ferimentos pelo corpo. O rapaz ao ver as duas criaturas volta a mexer em sua bolsa, e dela retira um frasco azulado com um formato de “pato”.
    - Vamos cuidar desses machucados. – o rapaz fala, com o frasco em mãos, do mesmo modo que se segura um spray.
    Ele puxa o réptil para perto de si e borrifa em algumas escoriações e contusões o conteúdo desse frasco, e massageia de leve algumas áreas mais afetadas para espalhar melhor o produto. O rapaz deposita este frasco de volta na bolsa e retira outro similar de imediato. Este ele usa no mamífero, borrifando em alguns cortes presentes no rosto e no corpo do ser, além de borrifar um pouco também nas queimaduras. Ao fim, Xavier pega da bolsa alguns curativos que havia trago e os usa para tampar os cortes no corpo da criatura, para impedir que seguissem sangrando.
    O rapaz respira fundo ao terminar de tratar dos hematomas de seus Pokémon. Ele retorna ambos para suas pokebolas após alguns minutos de descanso, e então se levanta, devagar. Xavier se vira para o matagal denso e verdejante, e segue em sua direção.
    Com sua bolsa ajeitada em seu ombro, e o desejo de ir além, o rapaz passa pelo escuro portal situado entre as árvores, onde a vida é exuberante, mas também astuta e perigosa.
  • Capítulo 1: Saudades de Aquacorde


    Os raios solares invadem o cômodo. O quarto fica bem iluminado com a luz do astro amarelo. A iluminação toma conta do lugar, como se ali fosse sua morada. E alguns feixes de luz batem no rosto de uma pessoa que se encontrava deitada em sua cama.
    Ele não estava acostumado a dormir até aquela hora, definitivamente não estava. Os músculos duros e doídos pelo tempo excessivo na cama não era algo que ele apreciasse, mas o que poderia fazer? As horas anteriores não podiam ser pegas de volta, então tudo que restava para ele era levantar e encarar este novo dia. Logo ele se levanta, e se senta na beirada da cama, tentando alcançar algum nível de maior sobriedade.
    Os olhos logo mostram uma luz de consciência e o rapaz se levanta lentamente, para se dirigir a uma cômoda, e pegar algumas mudas de roupa para se trocar.
    ...
    Os cabelos castanhos do rapaz descem até a altura do queixo, e o rosto  sério, mas com traços finos lhe davam um ar diferente, uma atmosfera refrescante e jovial. As roupas eram a simples combinação de uma jaqueta azul com detalhes em branco, e uma calça jeans daquelas que se punha para ir a todo lugar. No mais, ele coloca suas meias no pé e calça um par de botas pretas de cano médio.

    Ele com algum cuidado sai dos seus aposentos, evitando fazer barulhos altos. De seu quarto ele chega a um corredor, e ao fim deste ele desce uma escada num passo mais ligeiro. O que ele vê ao descer do último degrau é um pequeno salão, composto por um balcão de madeira clara, piso em tábuas corridas e paredes em tom musgo,  além de uma porta que levava para fora dali. Os únicos enfeites do local eram dois vasos grandes, um de cada lado do balcão , e continham samambaias duma variedade de terras distantes.
    O jovem sai do salão e se depara com as ruas da cidade, sendo elas de um estilo bem antigo, com vários tijolinhos marrons, beges e alguns avermelhados servindo como calçamento. As casas e estabelecimentos  que compunham a cidade tinham um estilo remetente a época das colônias, sendo característica da cidade as paredes delas terem um tom bege, telhados num tom azul escuro, e, além disso, serem construções de médio porte, como pequenos prédios de dois ou três andares.
    - Com licença, poderia me dizer que horas são? – o rapaz pergunta para um transeunte.
    - Claro, por que não? – e a pessoa para e olha para um relógio em seu pulso. – São onze horas.
    - Agradeço imensamente.
    Ele fica aliviado, parecia não estar atrasado, pelo contrário, estava até um pouco adiantado em relação ao horário combinado.  Não tarda e o rapaz se pões na passagem principal da pequena cidade, e desce um lance de escadas chegando ao primeiro nível do pequeno e pacato município, e logo chega a uma pequena praça, com uma fonte ao centro, e um caminho de ladrilhos que circula a tal. Ao redor do caminho, um tapete de grama lustrosa, limitada por um meio-fio de estilo correspondente ao da cidade.
    Na praça algumas pessoas conversam tranquilamente, seja sentadas em bancos públicos, em pé ao lado da fonte, ou mesmo deitadas na grama. O jovem então localiza um grupo de pessoas, e se aproxima, fazendo com que sua presença seja percebida em poucos instantes.
    - Ei, Xavier! Vem cá, poxa! Achamos que não vinha mais! – grita uma garota com pele cor de caramelo, cabelos  de um castanho suave em longas marias-chiquinhas e brilhantes grandes olhos verdes.
    O jovem parece não gostar muito do comentário, e uma carranca aparece em seu rosto.
    - Vocês combinaram onze e meia! Ainda falta algum tempo pra isso. Eu até cheguei antes do combinado! – Xavier reclama e gesticula com os braços.
    - Sem drama, Xavier. – fala um garoto baixo e franzino, com cabelos laranja em “capacete” e olhos acinzentados. – Não tem motivos pra reclamar, você sabe que sempre chegamos uns dez minutos mais cedo.
    Xavier assume então uma postura mais consistente e pergunta:
    - E onde é que está o Tierno? Não vejo ele por aqui.
    - Seria difícil não ver se ele estivesse aqui. – responde a garota. – Ele disse que esperaria a gente no café, não é, Trevor? – pergunta pro ruivo.
    - Isso mesmo, Shauna. Naquele de sempre, no lado oeste da cidade.
    Xavier olha para os dois amigos,  que pareciam estar esperando algo.
    - Então vamos lá. – e os outros dois acenam com a cabeça, em confirmação.
    ...
    Um punhado de mesas circulares de madeira ligeiramente rosada se punham no calçadão a frente de um pequeno estabelecimento comercial, e algumas pessoas se situavam sentadas em cadeiras ao redor das mesmas, enquanto outras simplesmente estavam de passagem por ali. Xavier e seus dois companheiros observam o entorno numa tentativa de encontrar Tierno, o que não tarda muito.
    Os três então fazem seu caminho até uma mesa mais isolada, onde um garoto gorducho e bastante alto bebericava algo de uma xícara e punha seu braço em cima de uma grade, o rosto virado para trás, observando com uma visão privilegiada  o movimento diário da pacata cidade. O rosto em formato de pêra e o cabelo bem curto, mas com três elevações anormais faziam com que ele fosse bastante fácil de se localizar.
    Xavier, Trevor e Shauna se sentam nas cadeiras vagas desta mesa, mas o jovem recém encontrado não parece perceber a chegada dos mesmos. Ele continua olhando atentamente aquele lugar, e as pessoas que ali passavam.
    O silêncio prossegue por alguns segundos.
    - Vai dar saudade, não vai? – Tierno pergunta, sem se virar, mostrando que ao contrário do que aparentava, sabia da chegada dos amigos. – Essa cidade, essas pessoas, o tipo de movimentação... Até o chá que eu bebo... Vou ter saudades daqui, saudades de Aquacorde.  Eu estou aqui já faz algum tempo, e não é fácil me acostumar com o fato de que vou ter de deixar este lugar. Vivi muita coisa aqui... – e contempla o horizonte, pensativo.
    Xavier solta um suspiro, e um claro desânimo aparece em seu rosto. Trevor e Shauna seguem sem grandes reações, mas também pensativos.
    - Tierno, me sinto do mesmo modo. – Xavier se põe a falar, num tom com um quê de tristeza. – Já estou vivendo nesta cidade faz três anos. Três anos de estadia, três anos de amizades, de rotinas, e de estudo. E três anos... Para o meu diploma. – e olha para os amigos, que lhe escutavam com certa atenção. – Nestes três anos de estudo no Instituto Regional do Sul de Kalos, eu tive a oportunidade de reencontrar vocês, que eu não via desde a infância. Quando encontrei o Tierno no mesmo campus que eu, eu não acreditei no que via. E depois ele me levou até vocês, Trevor e Shauna, e eu acabei recriando esse vínculo de amizade. Eu tenho muito a agradecer pra esta cidade...
    Os quatro amigos então sorriem singelamente uns pros outros, sem palavras por alguns segundos. Naquele momento, o silêncio dos quatro e os pequenos sorrisos eram como um “obrigado” para aquela cidade que os reuniu.
    Deles, a primeira a falar algo após o breve período de falta de palavras foi Shauna.
    - Ei, sabiam que eu acho muito injusto isso? – ela fala, com um olhar de raiva, claramente fingido. – É muito injusto que você e o Tierno tenham cursado uma universidade só porque nasceram antes de nós!
    Trevor neste momento vê sua chance de entrada.
    - Realmente, porque o governo mudou as regras do Vestibular Regional de Kalos no ano seguinte ao exame de vocês? Frustrou gente como nós, que tínhamos apenas um mísero ano de diferença. Não é injusto, Shauna?
    - Muito injusto! – a garota toma a deixa. – Os governantes não sabem o que perderam ao deixar talentos como eu e você serem desperdiçados numa simples Escola de Treinadores de Santalune. Como pode isso ocorrer pra uma diva como eu? – e faz uma careta de raiva, vira o rosto e joga as costas de sua mão numa mecha de cabelo, que cai para trás do ombro, completando o gesto teatral.
    Tierno olha para Xavier, e os dois então gargalham da palhaçada dos mais novos, que também pareciam se divertir com aquilo.
    - Até hoje vocês estão com isso? – Xavier fala. – Pô, que culpa eu tenho de nascer um pouco antes de vocês?
    - Vá pastar, Xavier! – Trevor e Shauna respondem em uníssono.
    Enquanto eles se divertem com a conversa casual, um garçom se aproxima da mesa.
    - Vão querer alguma coisa?  - ele pergunta.
    - Um crepe de banana e um cappuccino, por favor. – Trevor pede.
    - Eu vou querer uma porção pequena de fritas e um refrigerante, moço. – Shauna fala sorridente e com as pernas inquietas.
    - Apenas um chá de jasmim, por gentileza. – Tierno pede num tom lento.
    - O de sempre, Robert. – por fim, Xavier fala, completando os pedidos do grupo.
    O garçom anota os pedidos numa caderneta e segue para algumas outras mesas. Shauna neste momento já parecia ter engatilhado algum assunto em sua cabeça, ao julgar por sua expressão.
    - Você não se cansa de pedir sempre a mesma coisa? – a garota questiona Xavier. – É sempre o tal de Croque Monsieur! Não sabe pedir outra coisa não?
    - Realmente não é lá muito saudável isso, Xavier. – Tierno fala com o rapaz. – Até onde sei isso é uma bomba calórica, e não é lá muito nutritiva. Pra quê sempre pede isso?
    - Pô, se juntando com ela pra ir contra mim Tierno? Poxa, tu sabe que meu cardápio no resto do dia é mais variado! – Xavier reclama, um olhar de “indignação” no rosto. – Trevor, você jantou lá em casa ontem, diz aí, o que eu preparei? – pergunta para o ruivo.
    - Não me meta nisso. – fala o outro desviando os olhos.
    E a discussão continua, os lanches chegam, e a conversa prossegue variando enquanto aproveitam a comida.

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    ...
    Pratos e copos na mesa, talheres em v dentro dos primeiros, e a conversa volta a atingir um tom mais sério.
    - Bem, acho melhor pararmos de enrolar pra falar do principal assunto, e o principal motivo também, de estarmos aqui hoje. – Xavier fala, num ritmo constante. – O que vocês irão fazer agora? Shauna e Trevor acabaram de se formar na Escola de Treinadores, enquanto eu e o Tierno nos formamos em nossos respectivos cursos. E agora? O que irão fazer?
    Uma atmosfera fria paira no ar, e o grupo antes falante abafa sua voz, até ela não sair mais. O que iriam fazer? Para onde iriam? Voltar para suas casas? Procurar por um emprego? Eles não sabiam, e tinham de achar um caminho. E rápido.
    - Xavier, não cursei Dança sem motivos. – Tierno responde. – Desde que tenho consciência de mim mesmo, sei que eu nasci pra dançar. E meus passos até aqui foram para isso, e se eu quero ser reconhecido por tal, eu devo me utilizar de todos os meios necessários. Já decidi que o melhor que faço é seguir andando por esta região, me apresentando nos mais variados meios, sejam em batalhas pokémon, vídeos ou mesmo apresentações de rua . Farei de tudo um pouco. – ele termina, e respira fundo.
    - B-bem, acho que é minha vez agora... – Trevor fala com certa timidez, diferente do habitual. – Na verdade... Já há um certo tempo ando discutindo o tema com minha mentora na escola, a Sra. Viola, sobre o que eu tenho desejo de fazer... A verdade é que meu sonho é ser fotografo, e me espelho bastante no trabalho dela. A questão é que quando perguntei a ela o que fazer , ela me disse pra viajar e fotografar  momentos únicos em locais diferentes, sempre ter novas fotos e experiências. Ela me falou que começou assim, e desde algum tempo atrás eu venho pensando nisso. Depois de ouvir o que o Tierno disse, tenho a confiança de que é o que devo fazer. – dito isto, os olhos do ruivo brilham com um fogo tão ardente quanto a cor de seus cabelos.
    A única garota do grupo olha para os três amigos, dá um sorriso animado, e diz:
    - Eu não sei bem o que quero fazer, ainda não descobri quem eu sou. Mas sair numa jornada não parece uma má idéia. Eu posso acabar me descobrindo no caminho, acho que só por isso já vale o esforço. Não?
    Os amigos acenam em aprovação. Parece que embora por motivos diferentes, eles trilhariam caminhos parecidos por algum tempo.
    - E você, Xavier? Se me lembro bem você pode continuar a viver tranquilamente aqui. – Tierno fala de forma solene. – Seu pai te deixou um apartamento aqui, e não acho que as editoras locais vão deixar um revisor passar em branco.
    - É mesmo, Xavier, acabei de me lembrar de algo... Seu pai não tentou lhe contatar nem uma vez nos últimos anos? – Shauna pergunta, com um olhar de claro de preocupação.
    O rapaz questionado cruza os braços, e mantendo a seriedade anterior, se põe a responder os companheiros.
    - Shauna, não tentou nem uma vez, e eu dou razão a ele. – diz sem flutuações na voz. – Um filho ilegítimo em outra região não é algo que nenhum nobre gostaria que viesse a público, mesmo que o nobre em questão seja apenas um baronete. A mídia não o pouparia, tal como não me pouparia. Já é extraordinário que o nome dele exista em meu registro, e mais ainda que ele tenha me deixado um apartamento. Essas coisas por si só já são um risco... – e para de falar, olhando para longe por um tempo.
    Os amigos não falaram nada, não adiantava tentar confortar o rapaz, não teria nem sentido tal ação.
    - Tierno...  Você mencionou que eu poderia viver aqui tranquilamente... Mas... Eu não posso fazer isso. – Xavier prossegue após um tempo de silêncio. – Eu fiz uma promessa. E eu devo cumprir essa promessa. Pode parecer estúpido, mas eu vou seguir para longe daqui, porque antes de mais nada, eu, Xavier Deuschamp Tatcher, tenho o dever de cumprir com minha palavra. Ontem chegou uma encomenda que fiz um tempo atrás. E agora nada pode me impedir de ir para onde devo. – olha então, um por um, os amigos. – Vou partir amanhã de manhã.
    Todos ficam então, novamente, num momento onde nenhum deles estava disposto a falar muita coisa. Após alguns minutos, Tierno solta uma risada seca, meio sem graça, e quebra o silêncio.
    - Se todos nós vamos sair andando por aí, então o melhor é que nos separemos. – ele fala. – Cada um de nós quer se descobrir, se melhorar. Realizar seus desejos. E não conseguiríamos nos focar em termos novas experiências se estivéssemos juntos. É o que acho, pelo menos.
    - É realmente melhor assim. – Xavier diz em concordância. – Shauna, Trevor, vocês não tem nenhum problema em relação a isso, certo?
    - Absolutamente nenhum. – a garota concorda.
    - Nenhum que eu saiba. – o ruivo diz.
    - Então está decidido. – Tierno , com certa firmeza.  – E assim será feito.
    O grupo acena em confirmação com as cabeças. Trevor então revela uma expressão engraçada.
    - Se nós ficarmos tanto tempo sem nos ver, podemos acabar mudando demais, e nos tornarmos pessoas muito diferentes! – Trevor fala, agitado. – Eu acabei de pensar, e tipo, podemos nos encontrar daqui a seis meses na Capital Iluminada, Lumiose!
    Os colegas sorriem, parecendo de acordo com a idéia. Ao fim de tudo, a conversa perdura por mais algum tempo, e quando terminam, o sol já se punha, e as pessoas que permaneciam no café eram poucas. Os quatro amigos então se levantam e seguem em diferentes direções, tendo agora um novo objetivo, e uma certeza no peito de que se veriam seis meses depois.
    ...
    A luz do sol entra pela janela de um quarto com poucos itens. Uma figura pula da cama. Os sons de farfalhar de roupas, do fechamento de zíperes e de botas impactando no chão ecoam pelo cômodo. A figura ao fim de tudo para em frente a um espelho, e coloca o boné vermelho que se situava num cabide próximo em sua cabeça, tal como coloca sobre o mesmo os óculos escuros que estavam em cima de uma cômoda.
    Xavier olha para sua figura refletida no objeto. Não havia mais espera, era neste dia que iria sair. O rapaz pega uma bolsa bicolor, em tons de azul e preto, e sai do apartamento, mas não sem antes chavear a porta. Em pouco tempo ele já está fora do prédio, e nas ruas pouco movimentadas do início da manhã.
    O comércio começava a abrir, e o rapaz compra alguns poucos itens de alguns estabelecimentos, como suprimentos e artefatos de utilidade. Por fim, o rapaz para em frente a uma ponte, esta de tijolos avermelhados, e que cruza um largo canal de um lado a outro. Seus olhos percorrem toda a extensão da mesma. Um certo brilho podia ser identificado em sua expressão.
    Ele retira de um bolso uma esfera, e a encara.
    - Espero que você tenha valido a pena, pois é você que servirá de base para meus objetivos.
    E ele guarda a esfera, encara a ponte, e dá seu primeiro passo pelos seus ladrilhos, sendo não só este o primeiro passo com o objetivo de cruzá-la, mas também o primeiro passo rumo ao mundo. O primeiro passo de uma aventura, o primeiro passo de um novo capítulo de sua história... O primeiro passo, de sua própria jornada.
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